Setor de hortaliças discute efeitos do clima sobre a atividade

  • Crise climática afeta renda e segurança alimentar, diz pesquisador da Embrapa
  • Setor movimenta 3,5 milhões de empregos e cultiva uma área de 900 mil hectares

Os eventos climáticos, que já são uma realidade constante e trazem mais calor, seca e enchentes, vão pôr cada vez mais em xeque a produção de hortaliças. Os efeitos podem se espalhar por toda a economia, uma vez que esse setor movimenta muitos trabalhadores, sustenta comunidades e abastece boa parte do mercado nacional.

Os efeitos climáticos vêm impactando diretamente na produtividade, na renda e na segurança alimentar, principalmente nas propriedades familiares. Segundo Warley Marcos Nascimento, pesquisador da Embrapa Hortaliças e presidente da ABH (Associação Brasileira de Horticultura), são essenciais algumas medidas para a manutenção dessa atividade.

Para o pesquisador é preciso ampliar o acesso do produtor à informação, à assistência técnica e à capacitação. A tecnologia não está chegando até esse produtor, que também não tem acesso a meios de defesa contra a crise climática, como a utilização de irrigação e de estufas. “Ele não precisa de assistencialismo, mas de assistência técnica. Precisa de soluções que fortaleçam a eficiência e a sustentabilidade produtiva”, diz o pesquisador.

A assistência técnica, via Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), é muito precária e funciona apenas em alguns estados. Nascimento afirma que é preciso discutir o alcance da pesquisa, da extensão rural, da academia e das políticas públicas sobre o tema da crise climática.

O pequeno produtor é o que tem o maior potencial para minimizar as mudanças climáticas, diz o presidente da ABH. Esse produtor trabalha com produtos orgânicos, utiliza o sistema de plantio direto, adota o sistema agroflorestal e tem uma diversificação maior de cultura, o que gera menos doenças e menos pragas.

Nascimento afirma que a produção de hortaliças é responsável pela geração de aproximadamente 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos, e a área cultivada é estimada em 900 mil hectares. São pequenas áreas com potencial de geração de elevado valor agregado e de renda, segundo ele.

O presidente da ABH diz que, além de assistência técnica e de recursos, é preciso desenvolver também a comercialização. “Estamos falando de produtos perecíveis. O produtor não consegue armazenar e, quando vai vender, vêm os atravessadores.” Em alguns períodos, o quilo de cebola sai por R$ 0,80 do campo e chega a R$ 5 nos supermercados das grandes cidades, afirma.

O desenvolvimento do setor é importante até para dar condições para os produtores incrementarem a rastreabilidade, seguindo Instrução Normativa de 2018. Todo produto que sai da lavoura deveria chegar à casa do consumidor com um código de barra indicando local de produção e insumos utilizados no processo produtivo. O custo desse processo, no entanto, é caro.

Para incentivar mais essa cooperação entre o campo e a ciência, a ABH realiza um congresso em Brasília, em julho, para discutir os desafios da agricultura familiar frente às mudanças climáticas, entre outros temas. Eventos técnico-científicos têm o papel de viabilizar a troca de conhecimentos e a disseminação de experiências, afirma o pesquisador (Folha)

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