| Mesmo com condições menos favoráveis à sobrevivência dos vermes nas pastagens, parasitas já alojados no organismo dos animais podem comprometer o ganho de peso. Especialista orienta como planejar o controle durante o período seco |
| Durante a seca, a redução da umidade pode provocar uma falsa sensação de segurança em relação às verminoses. Embora o clima seja menos favorável à sobrevivência de ovos e larvas nas pastagens, os vermes que já infectaram os bovinos podem permanecer no organismo por vários meses, comprometendo a saúde e o desempenho dos animais. Segundo Ingo Mello, médico-veterinário e Gerente Técnico de Gado de Corte da Ourofino Saúde Animal, uma infecção adquirida anteriormente pode afetar o rebanho durante boa parte da estiagem. “Dentro do organismo, esses parasitas continuam competindo por nutrientes e comprometendo o desempenho, justamente quando há menor oferta e qualidade de alimento”, explica. Perda de peso pode não ser causada apenas pela falta de pastagem Durante a estiagem, é comum atribuir a queda de desempenho exclusivamente à redução da qualidade da forragem. No entanto, os parasitas internos também podem contribuir para a perda de escore corporal. Além de competirem pelos nutrientes ingeridos, eles podem provocar alterações no trato gastrointestinal e aumentar o desgaste metabólico e causar inflamações. Como resultado, o animal encontra mais dificuldade para manter o ganho de peso e responder a outros desafios sanitários.Entre os sinais que merecem atenção estão: Dificuldade de ganho ou perda de peso;Redução do escore corporal;Pelagem opaca, maior, áspera ou sem vigor;Queda no desempenho do lote;Animais menos ativos durante o manejo. Essas manifestações também podem estar relacionadas à nutrição ou a outras enfermidades. Por isso, a avaliação deve considerar o histórico sanitário, as condições das pastagens e a evolução produtiva do rebanho.”Nem sempre a verminose provoca um quadro clínico evidente. Muitas vezes, o primeiro sinal é um lote que deixa de apresentar o desempenho esperado. Quando o emagrecimento já é acentuado, parte da perda produtiva provavelmente ocorreu”, alerta Ingo. Por isso, a vermifugação não deve ser realizada apenas quando os sinais ficam visíveis. O controle estratégico considera a categoria dos animais, o histórico parasitário da fazenda, os tratamentos utilizados anteriormente e os períodos de maior risco. Animais em fase de recria e bovinos de sobreano exigem atenção porque ainda estão em desenvolvimento. Uma queda no ganho de peso pode prolongar o ciclo produtivo e reduzir o aproveitamento dos investimentos feitos em nutrição, genética e manejo. Outro ponto importante é a resistência parasitária. Aplicações repetidas, sem critérios técnicos ou acompanhamento dos resultados, podem reduzir a eficácia dos princípios ativos ao longo do tempo. “Não existe um calendário único para todas as propriedades. O protocolo precisa ser definido de acordo com a realidade da fazenda e acompanhado para verificar se está entregando o controle esperado”, orienta o médico-veterinário. Longa ação pode facilitar o manejo durante a estiagem Em sistemas extensivos, reunir novamente os animais no curral demanda mão de obra, deslocamento e expõe o rebanho a um novo manejo. Nesse contexto, endectocidas de alta concentração e longa ação podem ampliar a janela de controle e reduzir a necessidade de novas aplicações em intervalos curtos. A escolha do produto e do momento da aplicação deve ser feita com orientação de um médico-veterinário e de acordo com as recomendações de uso. Além do tratamento, o produtor deve acompanhar o ganho de peso, o escore corporal e a resposta dos lotes. Registrar datas de aplicação, produtos utilizados e resultados obtidos também contribui para o planejamento dos manejos seguintes. “O controle parasitário deve ser planejado, registrado e revisto de acordo com a realidade de cada propriedade”, destaca Ingo Mello. |




