FPA vê reflexos do endividamento na atividade do agro em julho

Setor recuou 1,2% em julho e contribuiu para a queda de 0,2% da atividade econômica brasileira, segundo dados do Banco Central divulgados nesta semana.

A agropecuária recuou 1,2% em julho e puxou para baixo o resultado da atividade econômica brasileira, que caiu 0,2% no mês, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central). Os dados foram divulgados pelo Banco Central na quarta-feira (16).

O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) e busca acompanhar a evolução da atividade econômica antes da divulgação dos dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A próxima divulgação ocorrerá em dezembro.

No trimestre encerrado em julho, o setor também apresentou retração, de 0,6%, na comparação com os três meses anteriores.

Para a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), o resultado ocorre em um momento de pressão sobre o setor, marcado pelo endividamento dos produtores, juros elevados e dificuldades na renegociação de dívidas rurais.

A entidade tem apontado problemas na implementação da Medida Provisória 1376/26, que trata da renegociação de dívidas do setor. Entre os entraves citados estão a exigência de laudos para comprovar perdas, custos adicionais, revisão de garantias e cobrança de entrada de produtores que já enfrentam dificuldades financeiras.

Segundo a FPA, a carteira de crédito rural chegou a R$ 881,7 bilhões em julho. Desse total, R$ 207,4 bilhões, ou 23,5%, correspondiam a operações consideradas problemáticas, como atrasadas, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.

A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que o setor vive um momento de pressão por causa da combinação de juros altos, dificuldades de crédito e endividamento.

“Hoje o agro, apesar de toda a pujança, de puxar o PIB brasileiro, vive um momento muito difícil. As fábricas de máquinas agrícolas não estão vendendo, os produtores não estão conseguindo comprar os fertilizantes pelo preço. E nós temos aí um problema dos juros que são altíssimos. Então isso leva a um problema de crédito. Muitos produtores inadimplentes e muitos pedindo recuperação judicial”, afirmou.

Seguro Rural

Para a FPA, o fortalecimento do Seguro Rural também é necessário para reduzir a exposição dos produtores aos riscos e evitar o agravamento do endividamento.

A instituição lembra que a proposta orçamentária para 2027 prevê R$ 1,2 bilhão para o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), no entanto, mais de 70% desse valor está condicionado a recursos que ainda não estão garantidos.

A FPA afirma que a instabilidade no orçamento do programa tem contribuído para a baixa contratação do seguro. Segundo dados citados pela entidade, menos de 3,5% da área plantada no Brasil tinha cobertura de Seguro Rural em 2025.

No Congresso, o Projeto de Lei 2951/24, que altera o marco legal do Seguro Rural, foi aprovado pelo Senado em 3 de setembro e encaminhado à sanção presidencial. A proposta prevê, entre outras medidas, mudanças nas regras de contratação e o uso do seguro como garantia em operações de crédito rural (CNN)

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