Segundo a consultoria, lavouras devem ultrapassar os 2,2 milhões de hectares.
Após a redução observada na safra 2025/26, a área brasileira de algodão pode retomar o crescimento no próximo ciclo. As expectativas preliminares, diante da melhora das margens operacionais para 2026/27, indicam potencial de novo recorde de área, podendo ultrapassar os 2,2 milhões de hectares, aponta análise da consultoria Agro do Itaú BBA.
A safra colhida este ano foi plantada em pouco mais de 2 milhões de hectares, e, apesar da projeção de incremento, a consultoria lembrou que o bom desempenho da safra dependerá das condições climáticas que ainda estarão sob influência do El Niño, que deve perdurar pelo menos até abril de 2027 segundo a NOAA.
Sob esse contexto, o Itaú BBA estima uma produção de 4,2 milhões de toneladas em 2026/27, recuo de 5% se comparado com a safra anterior. A projeção leva em conta produtividades menos positivas que as observadas na última safra.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional da pluna, a consultoria lembra que a decisão dependerá da competitividade do algodão frente ao milho e do ritmo de plantio da soja.
O início irregular das chuvas pode atrasar a implantação da oleaginosa e reduzir a janela disponível para o algodão de segunda safra. Em contrapartida, a normalização das precipitações a partir de novembro permitiria aceleração da semeadura e maior flexibilidade no calendário.
“A escolha de sementes, a qualidade do material produzido na safra atual e a disponibilidade de insumos também deverão influenciar o planejamento”, destacou o Itaú BBA, em boletim.
Ainda segundo o banco, o crescimento da área amplia o potencial exportador, mas também eleva o risco de pressão sobre o basis durante a colheita de 2027. Por isso, a expansão deverá ser acompanhada pela correta gestão de risco e proteção das margens por parte dos produtores.
Ao fazer uma análise sobre o mercado do algodão, a consultoria pontuou que a temporada 2026/27 se inicia com fundamentos internacionais mais construtivos tem termos de preços.
A produção mundial abaixo do consumo, a redução dos estoques e a menor safra dos EUA oferecem sustentação às cotações e tornam o balanço mais sensível a perdas adicionais.
A melhora nas cotações, contudo, deverá ser gradual, pois a demanda têxtil ainda enfrenta limitações e a concorrência das fibras sintéticas permanece elevada.
“O Brasil está bem-posicionado para capturar esse ambiente. Escala, produtividade, calendário complementar, diversificação de destinos, qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade fortalecem a competitividade da fibra brasileira”, observou o Itaú BBA.
Exportações
O avanço das exportações para Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia confirma que o país construiu uma base comercial mais ampla e menos dependente de um único comprador, apesar de a China seguir extremamente relevante.
O ano comercial 2026/27 começou forte para as exportações brasileiras. Somente em agosto, foram embarcadas 106,3 mil toneladas de pluma, volume 37% superior ao de um ano antes.
Para o Itaú BBA, a maior presença do Brasil em outros mercados reduz a dependência da China e aproxima o país dos principais polos de transformação da fibra. Também cria oportunidades para contratos mais regulares ao longo do ano, aproveitando o calendário complementar em relação ao Hemisfério Norte.
“À medida que o Brasil amplia a escala exportadora, esses atributos serão importantes para preservar acesso a mercados, reduzir descontos e competir com origens tradicionalmente reconhecidas pela padronização do produto”, destacou a consultoria (Globo Rural)





