Petróleo cai para o menor valor em mais de duas semanas

  • Barril Brent fechou no menor patamar desde o dia 10 de julho
  • EUA e Irã chegam ao quarto dia de trégua e negociam controle do estreito de Hormuz

O preço do petróleo voltou a cair nesta terça-feira (28/7) com a retomada do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao Oceano Índico, e o quarto dia de trégua entre EUA e Irã.

O barril Brent, referência mundial, chegou a cair 6,04% para a mínima diária de US$ 80,68 para o contrato de outubro, o mais negociado nesta terça, por volta das 13h (horário de Brasília). Durante a tarde, a derrocada perdeu força e o contrato encerrou a sessão com queda de 3,33%, a US$ 83,01.

Esse é o menor fechamento desde o dia 10 de julho, quando estava em US$ 76,01 e havia um cessar-fogo entre norte-americanos e iranianos. Depois disso, os dois países suspenderam o acordo e trocaram ataques durante 13 dias, até o último sábado (25). Neste período, o Brent chegou a atingir US$ 102.

O contrato de setembro do Brent encerrou o dia com queda de 4,27%, cotado a US$ 84,09. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 83,04 no fechamento, alta de 5%, para o contrato de setembro. A entrega em outubro estava cotada a US$ 79,10.

“O mercado entende que a situação está caótica e os preços estão em baixa porque as duas partes beligerantes [os EUA e o Irã] não se atacaram mutuamente nos últimos dias”, afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, em um relatório.

Os negociadores ficaram mais calmos com a suspensão dos ataques e a retomada gradual do tráfego em Bab el-Mandeb , alternativa usada pela Arábia Saudita para escoar sua produção de petróleo com o bloqueio no estreito de Hormuz.

A empresa de dados marítimos Kpler informou que 28 navios passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb na segunda-feira (27), a maior marca dos últimos quatro dias, mas abaixo dos 46 navios registrados em 14 de julho, enquanto o tráfego pelo estreito de Hormuz permaneceu baixo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que as negociações de Washington com o Irã estavam avançando e poderiam levar a uma resolução, mas alertou que a ação militar poderia ser retomada caso as negociações fracassassem. O Irã fez comentários semelhantes sobre retaliação.

Nesta terça, Omã apresentou aos iranianos uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do Hormuz, com taxas voluntárias, informou uma pessoa do setor à agência de notícias Reuters.

De acordo com a proposta de Omã, que conta com apoio regional e foi apresentada a autoridades iranianas no fim de semana em Teerã, o Irã não exerceria o controle exclusivo dessa via navegável vital.

A proposta se baseia no estreito de Malaca, que liga os oceanos Índico e Pacífico e é administrado em conjunto pelos países que fazem fronteira com ele: Indonésia, Malásia e Singapura.

De acordo com a proposta, aqueles que utilizam o Estreito de Ormuz contribuiriam voluntariamente para um fundo que financiaria os custos de gestão da navegação, proteção ambiental e busca e resgate, entre outros serviços.

O Irã já afirmou que pretende manter o controle sobre Hormuz, enquanto os EUA vêm pressionando para ser o responsável por esta tarefa. Esse embate tornou-se o principal obstáculo nas negociações para pôr fim à guerra e também um ponto de tensão que pode levar a novos confrontos (Folha)

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