Serviço será executado por empresa canadense, que importou oito plantadoras de pequeno porte para permitir economia de fertilizantes e combustível.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciou nesta segunda-feira, 27, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), uma parceria com uma companhia canadense que prevê oferecer plantio gratuito a agricultores paulistas visando à geração de créditos de carbono.
A companhia é a Soil and Sky Aliance, que trouxe para o Brasil oito de suas plantadoras de pequeno porte que prometem economia de fertilizantes e combustível.
Uma dessas máquinas será testada na AgNest, fazenda experimental mantida pela Embrapa em Jaguariúna (SP) para desenvolver, validar e demonstrar novas tecnologias para o agro.
Os outros sete equipamentos serão disponibilizados a custo zero a agricultores paulistas. Será uma relação ganha-ganha, já que os produtores serão habilitados a gerar créditos de carbono, que serão vendidos no Canadá e nos Estados Unidos para grandes empresas, como Amazon, Microsoft e Shell.
Segundo Ailton Schoenberger, diretor de Negócios Internacionais da empresa, cada plantadora, que mede 1,5 metro, terá capacidade para plantar até 200 hectares por safra. Como serão sete máquinas, a área total, de 1,4 mil hectares, deverá beneficiar de 40 a 50 agricultores em um primeiro momento. Se os resultados forem avaliados como positivos, a expectativa é de importar mais máquinas.
Schoenberger afirma, ainda, que este modelo funciona na Índia e no México, mas a proposta brasileira traz uma novidade. Isso porque, nesses países, as máquinas são vendidas aos proprietários de terra, enquanto no Brasil não haverá custos de compra ou aluguel. “Escolhemos o Brasil para experimentar esse formato e a Agrishow para fazer o lançamento oficial”, explica o diretor.
Ele diz, ainda, que a plantadora é adaptada para um plantio de vários tipos de cultura. O programa-piloto começa a funcionar na semeadura da safra 2026/27, entre setembro e outubro deste ano.
AgNest
Após a Agrishow, Schoenberger, que é brasileiro e mora no Canadá, pretende passar um mês em Jaguariúna para avaliar os resultados da plantadora que ficará na Agnest, projeto que começou a funcionar em 2024 por meio de uma parceria entre a Embrapa Meio Ambiente e a Impactability.
O objetivo é que a área experimental, de 66 hectares, seja gerenciada como uma fazenda comercial, para que os pesquisadores sintam as dores e percebam as demandas do campo in loco e, com isso, direcionem esforços para desenvolver inovações para o setor.
No início, havia quatro empresas parceiras. Atualmente, são 22, incluindo outras unidades.da Embrapa, Banco do Brasil e entidades como o Sistema Faesp/Senar, que acompanham testes com 18 soluções tecnológicas.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirma que a parceria está alinhada ao objetivo da instituição — que durante a Agrishow comemora 53 anos de existência — de inserir a geração de créditos de carbono como ferramenta para agregar valor ao sistema produtivo.
“Nesse contexto, é importante trazer um dado sobre o papel da inovação no agro. Em 2025, avaliamos o impacto de 200 tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. E apuramos que, a cada R$ 1 investido, a sociedade brasileira é recompensada com R$ 27. Além disso, essas tecnologias geraram, no ano passado, R$ 124 bilhões em impacto econômico, 17% do PIB Agrícola nacional. A agricultura de baixo carbono contribui para mostrar ao mundo que o Brasil é uma potência agroambiental”.
Mathias Schelp, vice-presidente de Agricultura Inteligente da companhia, vê na parceria uma possibilidade de intercâmbio científico-tecnológico, ainda mais porque a fazenda da Embrapa está próxima de Campinas, onde fica a central de desenvolvimento da Bosch.
“A integração com um projeto experimental, como é a AgNest, vai nos permitir o contato com problemas reais e, com isso, antecipar demandas de mercado”.
Milho transgênico
O avanço da AgNest é uma das atrações expostas no estande da Embrapa na feira. Entre outras tecnologias, a instituição apresenta o BTMax, primeiro híbrido transgênico de milho 100% brasileiro. A variedade, que chegou ao mercado em 2022 e agora ganha escala, foi desenvolvida em parceria com a Hélio Sementes.
A planta recebeu uma proteína da bactéria Bacillus thuringiensis, que tem propriedades inseticidas. Com isso, consegue reduzir a infestação da lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas da cultura.
Segundo Pablo Arantes, coordenador de serviços técnicos da Biomatrix, uma das empresas que comercializam o híbrido, a praga raspa a folha e ingere a proteína, que assume um efeito tóxico.
Os testes feitos durante o desenvolvimento da variedade apontaram eficiência de até 90% no controle da lagarta. A tecnologia continua em aprimoramento, com a meta de ampliar esse índice (Estadão)



