- Produção de asiáticos se recupera, após problemas sanitários, e venda externa cresce
- Em 2026, brasileiros se mantêm como líderes na exportação de proteína bovina e de frango
Antes apenas importadora de carnes do Brasil, a China passa a ser concorrente dos brasileiros no mercado externo. Após se recuperar de momentos difíceis, em que foi afetado por sérios problemas sanitários, o país asiático recompôs sua produção e, diante de demanda interna estável, passou a exportar mais, principalmente para países da Ásia.
Embora ainda com volumes pequenos em relação aos grandes exportadores, os chineses vão elevar em 18% as exportações de carne suína neste ano e em 29% as de frango. Afetada por uma onda de peste suína africana, a produção de carne de porco do país recuou para 36,3 milhões de toneladas em 2020, volume que deverá atingir 59,5 milhões neste ano, aponta o mais recente relatório do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre o mercado mundial de carnes.
Com esse volume interno disponível, os chineses mudam o cenário de 2020, quando importaram 5,3 milhões de toneladas dessa proteína e, praticamente, não exportaram. Neste ano, as importações ficam abaixo de 1 milhão de toneladas, e as exportações poderão atingir 145 mil. Em 2020, os brasileiros foram responsáveis por 55% do volume importado pelos chineses.
A produção de carne de frango do país também se recupera, após ter sido afetada pelo retorno da gripe aviária, em 2020. O volume produzido, que era de 14,6 milhões de toneladas naquele ano, sobe para 17,3 milhões em 2026, devido a subsídios do governo, mais produtores integrados e maior oferta de ração.
De importadora líquida, a China passa a exportadora de carne de frango. Comprava externamente até 5% do consumo interno, dependendo do ano. Agora, deverá exportar 1,4 milhão de toneladas, o correspondente a 9% do que consome, segundo o Usda. Japão, Hong Kong, Rússia e União Europeia são os principais clientes do país asiático. Os japoneses, na liderança, ficam com um quinto das vendas externas dos chineses.
Na carne bovina, a China continua com forte dependência do mercado externo. Com produção de 7,6 milhões de toneladas e consumo de 10,8 milhões, as importações serão de 3,2 milhões neste ano. Esse volume, porém, será 13% menor do que o de 2025, devido à imposição de cotas pelo governo para proteger o mercado interno.
O Brasil continua como um dos principais participantes do mercado mundial de carnes bovina, suína e de frango. Neste ano, o país deverá produzir 33,1 milhões de toneladas, 11% do volume mundial. As exportações totais do Brasil nessas três proteínas deverão atingir 11,3 milhões, com participação de 29% no comércio mundial, segundo os dados do relatório do Usda.
O Brasil ganha espaço, e os Estados Unidos perdem, principalmente na carne bovina. Os brasileiros continuarão sendo os principais exportadores mundiais de carne bovina, como ocorre há vários anos, e manterão a liderança na produção, posto que o país assumiu no ano passado, desbancando os Estados Unidos.
Os americanos, com rebanho em queda há décadas, reduzirão as exportações de carne bovina em 9% neste ano e aumentarão as importações em 6%, para 2,63 milhões de toneladas. A participação maior dos Estados Unidos na importação de carne bovina é uma ajuda ao Brasil, que, devido às cotas da China, deverá ter uma presença menor naquele mercado asiático (Folha)




