O agro não para; e a transformação da BR-364 também não

Por Wagner Martins

  • Nenhum setor sustenta o crescimento sozinho se a logística for obstáculo
  • Rodovia em Rondônia se tornou eixo essencial para a integração nacional

A logística brasileira vive um momento decisivo de reorganização de seus corredores estratégicos de exportação.

Durante décadas, os investimentos concentraram-se nos portos do Sul e Sudeste. Nos últimos anos, porém, o Arco Norte consolidou-se como peça central da competitividade nacional. Nesse novo desenho econômico, a BR-364, em Rondônia, deixou de ser apenas uma rodovia regional para assumir protagonismo como eixo essencial da integração logística brasileira.

A dimensão dessa transformação é evidenciada por dados da Esalq/USP: entre 2010 e 2024, a participação dos terminais do Rio Madeira nas exportações agrícolas brasileiras saltou de 12% para 34%.

Essa mudança estrutural, impulsionada pela força produtiva do agro, impõe um desafio proporcional: a infraestrutura precisa evoluir na mesma velocidade do crescimento da produção.

Com o encerramento do período chuvoso na região Norte, a Nova 364 amplia sua mobilização operacional com investimentos em larga escala. Até o fim de 2026, serão mais de R$ 600 milhões aplicados na rodovia, sendo R$ 221 milhões destinados exclusivamente à melhoria do pavimento. A dimensão desse aporte revela a capacidade transformadora do modelo de concessão. Para efeito de comparação, a média anual de investimentos públicos no trecho, entre 2020 e 2025, foi de aproximadamente R$ 13,7 milhões por ano.

Entendemos que uma concessionária de rodovia deve atuar como agente de desenvolvimento, antecipando soluções para gargalos históricos. Um exemplo é a antecipação da nova via de acesso aos terminais portuários do rio Madeira. Prevista originalmente para 2031, a obra foi reprogramada para iniciar em 2026, com R$ 260 milhões investidos em 34 km de pistas pavimentadas. O impacto será direto na fluidez logística, retirando milhares de carretas da malha urbana de Porto Velho (RO).

Outra iniciativa relevante foi a antecipação da recuperação estrutural de uma das pontes sobre o rio Candeias. A intervenção, antes sob responsabilidade do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e prevista para 2027, foi assumida pela concessionária e entregue em maio, garantindo segurança e fluidez em um trecho estratégico para o transporte de cargas do país.

Essa modernização enfrenta o chamado “custo invisível” da infraestrutura precária, que, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, pode elevar o custo do frete em mais de 38% na região Norte. Ao oferecer uma rodovia recuperada, com sinalização moderna e atendimento médico e mecânico 24 horas, estamos devolvendo competitividade ao país.


Os investimentos movimentam a economia regional, gerando cerca de 2.000 empregos diretos, ampliando a arrecadação dos municípios lindeiros. Cria-se, assim, um ciclo virtuoso em que os recursos do pedágio retornam à sociedade em forma de infraestrutura, serviços, empregos e desenvolvimento regional.

O agronegócio brasileiro é fundamental para a economia, mas nenhum setor sustenta o crescimento sozinho se a logística for um obstáculo. Nosso compromisso é transformar a BR-364 em um corredor de alta performance para um Brasil que produz cada vez mais e precisa escoar com eficiência (Wagner Martins é diretor-presidente da Concessionária Nova 364; Folha)

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