Mesmo em guerra, Irã acumula importações de US$ 1 bilhão no agro

Por Mauro Zafalon

  • Compra de farelo de soja atinge 1 milhão de toneladas, dez vezes mais do que no ano passado
  • Importação brasileira de fertilizante supera a de 2025, mas foi feita antes do conflito

Mesmo em guerra desde o final de fevereiro, o Irã mantém compras de produtos do agronegócio do Brasil em patamares recordes. Nos cinco primeiros meses deste ano, o país persa importou o correspondente a US$ 1 bilhão em produtos agropecuários brasileiros, o mesmo valor de igual período de 2025.

Considerando apenas o período em que o país está em guerra, as importações iranianas somam US$ 580 milhões, 5% a mais do que as de março a maio de 2025, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Os três principais produtos na pauta de importação são milho, soja e farelo. Juntos somam 3,22 milhões de toneladas, com receitas de US$

O grande salto deste ano está sendo no farelo de soja. Os iranianos importaram 1,1 milhão de toneladas desse produto, um volume recorde e dez vezes acima do de igual período do ano passado.

Apenas nos meses de março a maio foram 744 mil toneladas. Com a supersafra de 180 milhões de toneladas, o Brasil vem processando mais soja, e tendo mais farelo para exportação.

O apetite do Irã pelo milho brasileiro, no entanto, não é o mesmo neste ano. Em 2025, o país liderou as importações do cereal brasileiro, comprando 9,1 milhões de toneladas. No acumulado deste ano, as compras somam 1,5 milhão, abaixo do volume de igual período do ano passado. As exportações brasileiras ocorrem, em maior volume, no segundo semestre. A importação de soja também é menor, recuando para 680 mil toneladas, com queda de 32%.

Já as importações brasileiras do Irã cresceram 6% neste ano, somando US$ 26,5 milhões. Desde o início da guerra, o fornecimento de fertilizantes pelos iranianos foi interrompido. Mesmo assim, o volume adquirido no primeiro bimestre deste ano ainda supera o volume de janeiro a maio do ano passado.

A importação de pistache pelo Brasil, o segundo principal item da balança comercial do agronegócio do Brasil com o Irã, se mantém estável em 104 mil toneladas, no valor de US$ 1,77 milhão. Tâmara, damasco e uva seca entram nessa lista, mas em proporções pequenas.

Após a preocupação com a possível chegada da mosca-varejeira ao país, período em que contavam dia a dia os km de distância do inseto vindo do México, os pecuaristas do Texas agora veem o fato consumado. Por ora, os casos são poucos, mas a preocupação é que, por ser um estado importante na pecuária, esse seria mais um problema ao rebanho americano, que vem diminuindo década após década.

Os Estados Unidos exterminaram um foco em 1966 e, mais recentemente, outro em 2017 na Flórida. A arma que o país tem, e que foi usada nos focos anteriores, é a liberação de insetos estéreis. A produção, no entanto, é limitada. O único laboratório reconhecido pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) está no Panamá, com capacidade de produção de 100 milhões de moscas por semana.

Além da utilização de moscas estéreis, resta à secretária de Agricultura, Brooke Rollins, culpar Joe Biden, fora do governo, pela chegada das moscas, como ela vem fazendo nos últimos dias. Para coordenar a ação contra esses insetos, o presidente Donald Trump nomeou o zootecnista John Bellinger, que se incorpora ao grupo do Usda. Empresário e ligado a várias entidades do setor, foi presidente da Federação de Exportação de Carnes dos Estados Unidos.

A mosca-varejeira do novo mundo, como é chamada nos Estados Unidos (Cochliomyia hominivorax) é uma praga devastadora, segundo o APHIS (Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal). Quando as larvas dela penetram na carne de um animal vivo, causam danos graves, muitas vezes fatais.

A mosca pode infestar gado, animais de estimação, animais selvagens, aves e, em casos raros, pessoas, segundo o APHIS. Além de gado, ela já contaminou também um cão e uma cabra no Texas (Folha)

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