· Sem os americanos, os brasileiros ganham espaço, mas também sofrem com as taxas
· Com Trump, Brasil vende 85% a mais para a China; Estados Unidos têm redução de 58% no período
Cada vez que o presidente Donald Trump assume seu caráter errático de mercado e passa a colocar elevadas taxas no comércio entre parceiros, os Estados Unidos perdem, e o Brasil, nem sempre. Os americanos fecham mercados, e o Brasil busca novos.
A grande briga de Trump é sempre com a China, e essa disputa entre eles tem favorecido muito o Brasil. Quando o republicano assumiu o governo pela primeira vez, em 2017, os Estados Unidos tinham receitas de US$ 24 bilhões com exportações para a China de produtos relacionados ao agronegócio. No ano seguinte, o valor caiu para US$ 13 bilhões.
No mandato de Joe Biden, as exportações americanas para os chineses chegaram a US$ 41 bilhões no setor, mas, com o retorno de Trump à Presidência, diminuíram, recuando para US$ 10 bilhões no ano passado.
Bom para o Brasil. Em 2017, as exportações brasileiras para o país asiático eram de US$ 39,1 bilhões, subindo para US$ 72,5 bilhões em 2025, considerando produtos agropecuários e os demais relacionados ao setor, como madeira e celulose.
Quando os Estados Unidos impuseram pesadas taxas ao Brasil no ano passado, os setores com menor poder de fogo tiveram sérias dificuldades. Outros, como a carne bovina, buscaram novos mercados e acabaram obtendo recordes tanto nas receitas como nos volumes exportados.
Essas pesadas taxas acabam afetando não apenas os países exportadores, mas também a estrutura interna de comércio dos Estados Unidos, onerando
Trump está complicando ainda mais a vida dos agricultores americanos, que, mesmo sem as taxas, já vêm perdendo participação no mercado internacional. O poder de produção deles está limitado, ao contrário do que ocorre no Brasil.
A soja é um exemplo. Em 2017, antes da guerra tarifária de Trump, os americanos exportaram 32 milhões de toneladas da oleaginosa para os chineses. O volume brasileiro foi de 54 milhões. No ano passado, com as novas investidas de Trump, os chineses adquiriram apenas 7,2 milhões de toneladas dos americanos, mas 85 milhões dos brasileiros.
A China perdeu a confiança no comércio com os Estados Unidos e se aproximou mais do Brasil, que ganhou espaço não só na soja, mas também nas carnes e até no milho, produto que os americanos têm grande participação no mercado mundial.
Com Trump, os americanos perdem espaço nos principais itens exportados para a China, o maior mercado mundial para produtos agropecuários. Em 2022, as exportações de carne de porco rendiam US$ 1,4 bilhão, e foram de US$ 857 milhões no ano passado.
No mesmo período, a bovina caiu de US$ 2,1 bilhões para US$ 497 milhões, e as exportações de algodão, que estavam em US$ 2,8 bilhões, recuaram para apenas US$ 216 milhões no mesmo período.
Mesmo com as pesadas tarifas impostas ao mundo, os Estados Unidos não melhoraram as receitas com o comércio mundial no setor de agronegócio. As relações com a União Europeia, Oriente Médio e América do Sul ficaram praticamente estáveis no ano passado, em relação ao período anterior, e as com os parceiros da América do Norte recuaram.
Subnutrição
A população brasileira com insuficiência alimentar foi de 0,6% na média de 2023 a 2025, a menor já registrada pela FAO para o país. A taxa para os homens é de 0,5%, e a das mulheres, de 0,8%. Abaixo de 2,5% da população, o país é considerado fora do Mapa da Fome.
Lá pode
Sempre preocupados com o sistema produtivo brasileiro, parlamentares franceses acabam de aprovar o retorno do uso de dois pesticidas proibidos porque podem causar a morte de abelhas.
A justificativa é a de que as produções de maçã, cereja, avelã e beterraba estão sendo prejudicadas por insetos.
Arroz
Após longo período de queda, o preço do cereal começa a se recuperar. Neste mês, as negociações já chegam a R$ 66 por saca, com evolução de 10% no acumulado, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) (Folha)




