Flávio com Tarcísio acena ao agro e fala em atuar nos EUA contra tarifas

Por Marcelo Toledo

  • Presidenciável visita feira no interior de SP, critica Lula e diz que defenderá empresas brasileiras
  • Tarcísio afaga aliado e fala em responsabilidade com ‘legado’ de Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, acenou ao agronegócio em nova agenda com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e disse que vai atuar nos Estados Unidos contra a imposição de novas tarifas a setores da economia brasileira.

A afirmação foi feita na tarde desta terça-feira (23/6) no primeiro dia da Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne), em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

De acordo com Flávio, os produtores rurais brasileiros estão sentindo na pele a “incompetência e a corrupção do atual governo”.

“O agro em especial deveria ter mais respeito do governo federal, tinha que ter mais responsabilidade”, disse.

Ele completou: “Mais uma vez no dia 6 de julho agora vou aos Estados Unidos para fazer a defesa das empresas brasileiras, para que não sejam novamente tarifadas com mais 25% dos nossos produtos que forem exportados para os Estados Unidos, porque nós já temos as empresas mais taxadas do mundo pelo atual governo. Não é justo”.

Além de Tarcísio, o pré-candidato estava acompanhado de outros políticos da direita, que participam na noite desta terça de um evento no município paulista.

Foi a segunda aparição conjunta de ambos em quatro dias –a primeira no sábado (20) em Guarulhos, no lançamento da pré-candidatura ao Senado do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL).

O encontro regional da direita reúne também, no campus 2 da Unoeste, pré-candidatos como o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), pré-candidato ao Senado, assim como André do Prado. O evento também é o lançamento da pré-candidatura do ex-secretário da Agricultura Guilherme Piai (PL-SP) a uma vaga na Câmara dos Deputados.

É o segundo ano seguido em que políticos da direita concentram as atenções na abertura do evento em Presidente Prudente, que voltou a ser realizado em 2024 após um hiato de dez anos.

Em sua fala, Tarcísio saudou Flávio como pré-candidato e futuro presidente e elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem esteve no evento da pecuária em 2025, antes da prisão domiciliar do ex-mandatário.

O Brasil, segundo ele, enfrentou na gestão Bolsonaro desastre de Brumadinho, Covid-19, Guerra da Ucrânia e, apesar disso, terminou com estatais dando lucro. “Esse legado hoje está sob sua responsabilidade. Você está se preparando e vai fazer o melhor, tenho certeza”, disse o governador para Flávio.

No ano passado, o evento da agenda oficial do governador com Bolsonaro na Feicorte virou um ato de desagravo ao político.

Os principais eventos do agronegócio no país, que movimentam anualmente bilhões em vendas de máquinas agrícolas e em exposições e leilões de animais, se consolidaram nos últimos anos como território de políticos ligados à direita.

Foi assim também na Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), realizada entre o final de abril e início do mês passado em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que contou com Flávio e Tarcísio e críticas diretas ao presidente Lula (PT).

Naquele dia, o senador elogiou o governador e disse que ele será presidente “um dia”.

Nesta terça, Tarcísio anunciou a entrega de títulos de regularização fundiária rural para médias e grandes propriedades, formalizou a doação do recinto de exposições Jacob Tosello a Presidente Prudente, que já tinha sido divulgada na edição do ano passado, e inaugurou unidades do projeto Cozinhalimento.

Antes do ato da direita, o governador entregou o novo complexo da Polícia Técnico-Científica, que reúne o IML (Instituto Médico Legal) e o Instituto de Criminalística, além de reformas de delegacias.

A Feicorte tem 140 expositores, 500 animais em exposição e 40 horas de conteúdo técnico distribuído até sexta-feira (26). A expectativa é reunir 25 mil pessoas (Folha)


Flávio Bolsonaro se inscreve em audiência nos EUA sobre tarifaço; governo Lula não participará

A audiência pública será realizada em 6 de julho pelo USTR

O senador e pré-candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), informou que se inscreveu para participar de uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos para “defender o Brasil” da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo Lula não enviará representante (veja abaixo).

A assessoria de Flávio divulgou nesta terça-feira, 23, um requerimento oficial de inscrição feito pelo senador ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para um depoimento oral em inglês e pessoalmente como testemunha, por cinco minutos.

No documento, ele se identifica como senador da oposição e pré-candidato à presidência da República e diz ter se encontrado pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com outras autoridades americanas.

Ele afirma no documento que pedirá a suspensão da proposta de tarifa e solicita a abertura de uma negociação bilateral. Ele também afirma que a ação beneficiaria o próprio governo brasileiro e recairia sobre os exportadores brasileiros, os importadores americanos, os consumidores americanos e a oposição brasileira.

Na rede social X, o parlamentar também confirmou o pedido. “Vou defender os interesses do povo brasileiro! Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, escreveu o pré-candidato.

Flávio acrescentou: “Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”.

A audiência pública será realizada em 6 de julho pelo USTR. Terminou na segunda-feira, 22, o prazo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, com resumo do depoimento. O prazo para a definição das medidas termina em 15 de julho.

Governo brasileiro não enviará representante

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai enviar representantes do corpo diplomático e comercial para a audiência. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o governo entende que o encontro será feito para ouvir entidades que seriam afetadas pelas novas tarifas, como organizações e empresas.

Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a atuação do governo está sendo feita no grupo de trabalho que discute a situação tarifária entre os Estados Unidos e o Brasil, criada após a reunião entre Lula e o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, no dia 7 de maio.

O governo espera participar de duas novas reuniões do grupo de trabalho até o dia 15 de julho, prazo limite em que os Estados Unidos devem tomar a decisão final sobre a adoção de novas tarifas. Da parte do Brasil, a equipe é liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Já do lado americano, quem encabeça é o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo fontes, houve uma reunião há cerca de 10 dias sobre o tema entre Greer, Márcio Rosa e o embaixador Mauricio Lyrio.

Dentro do governo, a avaliação é a de que os negociadores brasileiros estão “fazendo muito” há um ano e já reverteram parte do problema, considerado um desastre provocado pela família Bolsonaro. Fontes lembraram que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi, inclusive, condenado por coação no curso do processo e que a “artimanha” de participar desse evento não passa de “um factóide que não para em pé” e que “não precisa nem de VAR”, numa referência ao árbitro tecnológico, muito usado em tempos de Copa do Mundo de Futebol.

Interlocutores salientaram que o governo brasileiro não participou de audiência pública similar do ano passado e decidiu não participar agora novamente por entender que é um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. No entanto, garantem que, pelos canais entre Estados, o governo vem, desde o ano passado, apresentando a defesa das posições do País por escrito, em reuniões virtuais e presenciais, como tem sido divulgado ao longo do período.

Essa postura de não comparecer a esse tipo de evento não é apenas brasileira, conforme relatos, já que a maioria dos países não comparece. “Negociação entre Estados não se dá nas audiências públicas, simples assim”, resumiu uma fonte, questionando por que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro decidiu apenas se envolver no tema agora (Estadão)

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