Da cria à engorda: por que o desempenho do gado começa antes do ganho de peso?

A integração entre metabolismo, nutrição e manejo ao longo das fases de cria, recria e engorda tem impacto direto na eficiência produtiva e nos resultados da pecuária moderna

A eficiência na pecuária de corte tem sido cada vez mais analisada sob uma ótica sistêmica. Mais do que resultados isolados em cada fase produtiva, o desempenho dos animais está diretamente relacionado à forma como o manejo nutricional e metabólico é conduzido ao longo de todo o ciclo —da cria à terminação.

Nesse contexto, compreender as particularidades de cada etapa e suas interações é essencial para extrair o máximo potencial produtivo dos animais. “Hoje, não faz mais sentido olhar cria, recria e engorda de forma separada. É a jornada de um mesmo individuo, correto? O desempenho final é consequência de tudo o que foi construído desde o início da vida do animal”, afirma Aline Allegretti, gerente da linha de produtos da Ceva Saúde Animal.

A fase de cria vai além da sobrevivência e do ganho de peso inicial. Trata-se de um período crítico para o desenvolvimento da base metabólica e imunológica dos bezerros, que irá influenciar diretamente a resposta produtiva nas etapas seguintes. Desafios como variações nutricionais, estresse ambiental e pressão sanitária podem comprometer esse desenvolvimento, o que reforça a importância de estratégias voltadas ao suporte metabólico. Quando bem conduzida, essa fase contribui para maior eficiência alimentar, fortalecimento do sistema imune e melhor taxa de sobrevivência.

Segundo Aline, intervenções bem direcionadas nesse momento têm efeito duradouro. “Quando o animal desenvolve bem sua base metabólica, ele responde melhor em todas as fases seguintes. Caso contrário, essa limitação acompanha o desempenho ao longo da vida produtiva”, explica.

Na sequência, a recria assume papel decisivo na construção do potencial produtivo do animal, com foco no desenvolvimento muscular e esquelético. É nessa fase que se definem parâmetros importantes para o ganho de peso e a qualidade da carcaça na terminação. No entanto, em sistemas predominantemente a pasto, nem sempre o aproveitamento dos nutrientes ocorre de forma eficiente, já que parte dos aminoácidos pode ser degradada no rúmen antes de ser efetivamente utilizada pelo organismo. Esse cenário exige estratégias que ampliem a disponibilidade metabólica desses nutrientes, favorecendo crescimento mais uniforme e maior eficiência produtiva.

Na fase de engorda, a lógica se intensifica. A eficiência alimentar passa a ter impacto direto sobre os custos e a rentabilidade, uma vez que pequenas variações na conversão de nutrientes em ganho de peso podem alterar significativamente o resultado da operação. O objetivo é acelerar o ganho de peso diário e reduzir o tempo até a terminação, mantendo o padrão de carcaça exigido pelo mercado. “Com margens cada vez mais ajustadas, o produtor precisa extrair o máximo de eficiência do sistema, e isso passa pelo melhor aproveitamento dos nutrientes disponíveis”, destaca Aline.

Diante desses desafios, cresce a adoção de estratégias que complementam a nutrição convencional e atuam diretamente no metabolismo dos animais. Soluções injetáveis têm ganhado espaço por permitirem rápida disponibilização de nutrientes no organismo, sem as perdas associadas ao ambiente ruminal.

“A proposta é simples: entregar ao animal o que ele precisa, no momento certo, para atravessar cada desafio no processo de crescimento e ganho de peso. Não é uma intervenção pontual, mas um suporte contínuo que constrói performance ao longo de todo o ciclo produtivo”. Ressalta a profissional.

À medida que a pecuária avança em tecnificação, a integração entre nutrição, manejo e estratégias de suporte metabólico tende a se consolidar como diferencial competitivo. Mais do que ganhos pontuais, o foco passa a ser a construção de um desempenho de alta performance e consistente ao longo de todo o ciclo, o que sabemos que para pecuária atual é um fator decisivo para a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade.

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