Biodiesel de soja promete mudar demanda interna e impulsionar setor brasileiro

Recorde de safra, nova lei em vigor e disputa no mercado movimenta segmento do insumo mais exportado do Brasil

A safra 2025/26 está projetada para bater recorde de 178 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e, ainda assim, a queda projetada de 13,3% no preço médio da soja pressiona a rentabilidade, com a margem por hectare despencando de R$ 2.325 para R$ 1.219. Produzir mais e ganhar menos é a equação que o setor tenta resolver. 

Cerca de 80% da soja processada se transforma em farelo e 20% em óleo. Sem um mercado robusto para esse óleo, há um limite estrutural para o crescimento da cadeia. O biodiesel surgiu, nesse contexto, como a peça que faltava. Ele absorve o excedente de óleo, viabiliza mais esmagamento, gera mais farelo, e este, por sua vez, alimenta a cadeia de proteína animal. É um ciclo que, até pouco tempo atrás, operava em escala insuficiente para alterar a equação do setor.

A partir de 2024, esse mercado mudou de forma estrutural. As leis estabelecem metas crescentes de mistura obrigatória de biodiesel ao diesel: 15% a partir de março de 2025, 16% em março de 2026, chegando a 20% em março de 2030. O calendário tem a força de lei, embora, como veremos, a execução esteja mais lenta do que o cronograma prometido.

“As tecnologias de agricultura de precisão para aplicação localizada e na dose adequada impulsionam ainda mais esse processo”, afirma Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.

O impacto sobre o esmagamento é direto. O esmagamento de soja segue em expansão desde 2023, impulsionado principalmente pela retomada e ampliação da mistura obrigatória de biodiesel. A Safras & Mercado revisou para cima a previsão de esmagamento para 61,8 milhões de toneladas em 2026 (alta de 6% sobre o ano anterior) sustentada por margens industriais que não eram observadas há bastante tempo. 

Abiove e representantes da cadeia produtiva defendem que a cada ponto percentual na mistura haja uma expansão de aproximadamente 3,59% nos empregos da categoria; cada R$1 investido em biodiesel retorna à economia multiplicado: R$ 4,40. 

Com a aprovação do B16 (esta é a sigla que discrimina a proporção de biodiesel misturado ao diesel fóssil: 16%), a demanda pelo combustível exigiria o esmagamento equivalente a cerca de 872 milhões de sacas de soja só para abastecer a produção de biodiesel. O salto em relação ao B15 representa um acréscimo de aproximadamente 90 milhões de sacas adicionais, que é quase o dobro de tudo que o Paraná produz em uma safra. A capacidade produtiva instalada de biodiesel saltou para  3,4 milhões de sacas de soja por dia para abastecer as usinas em plena operação, em 2025.

O que essa nova dinâmica representa para quem está na ponta da cadeia, o produtor rural, é talvez o aspecto menos discutido, mas potencialmente o mais transformador. O Brasil está deixando de ser apenas o “celeiro do mundo” para se tornar a sua “usina verde”, com o valor agregado ficando dentro do país e gerando 2,28 milhões de empregos. 

Mais concretamente, o preço da soja no Brasil passa a depender também de variáveis energéticas, criando um descolamento parcial em relação à Bolsa de Chicago. Para o produtor, isso pode significar mais opções de comercialização e menos dependência de um mercado externo que, como 2025 demonstrou com clareza, pode punir safras recordes com preços em queda. O caminho, porém, não está pavimentado. Para sustentar a expansão da demanda por biodiesel até 2030, o setor projeta investimentos da ordem de R$ 52,5 bilhões em novas usinas e unidades de esmagamento. 

“Estamos em um ciclo onde quem estiver tecnicamente amparado e bem informado terá condições de superar as turbulências. É hora de investir em conhecimento e proximidade com quem conhece o solo, a planta e o mercado”, complementa Leonardo Sodré, CEO do Grupo GIROAgro.

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