Editorial Folha de S.Paulo
- Segundo agência internacional, fenômeno começou a se formar, e há 63% de risco de que seja muito forte
- Governos precisam agir para conter efeitos nefastos, como secas e incêndios no Norte e enchentes no Sul, que assolaram o Brasil em 2024
Em comunicado nesta quinta (11/6), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) confirmou que o El Niño começou a se formar.
Segundo a agência federal dos Estados Unidos, há risco de que o fenômeno seja muito forte (maior categoria da escala) entre novembro e janeiro, o que pode fazer com que este seja o El Niño mais intenso desde o início da série histórica, em 1950.
Ademais, considerando o aquecimento global, a Noaa projeta que 2026 pode superar 2024 como o ano mais quente já registrado desde meados do século 19.
Resta claro, portanto, que autoridades das regiões do planeta que costumam ser afetadas precisam instituir planos de prevenção e contenção. O Brasil é uma dessas regiões e, no último El Niño (2023-24), sofreu com estiagem e incêndios na amazônia e no pantanal e com as enchentes letais no Rio Grande do Sul.
Trata-se de um fenômeno natural que ocorre a cada dois a sete anos e se caracteriza pelo aquecimento das águas da zona equatorial do oceano Pacífico. Ele é considerado muito forte quando a temperatura das águas supera 2ºC em relação à média histórica.
Desde 1950, isso só ocorreu quatro vezes: 1982-83, 1997-98, 2015-16 e 2023-24. Segundo a Noaa, a probabilidade de que 2026-27 integre tal lista é de 63%.
Os efeitos climáticos variam de acordo com a região. No Sudeste Asiático e na Índia, as chuvas diminuem; no leste da África e no sul dos EUA, aumentam. O Brasil apresenta as duas condições, com secas no Norte-Nordeste e chuvas intensas no Sul-Sudeste.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informa que começou a agir. Criada em 2024, a Sala de Situação sobre Incêndios Florestais foi reinstalada. A estrutura articula ministérios e órgãos para planejar recursos e preparar Forças Armadas, Polícia Federal e Ibama, além de articular ações diretas com estados e municípios.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de R$ 500 milhões foram direcionados aos corpos de bombeiros dos estados onde há mais incêndios.
O governo de Santa Catarina decretou alerta climático para agilizar a contratação de serviços e obras e a compra de insumos; o de São Paulo lançou programa que fortalece o monitoramento por meio de câmeras, inteligência artificial, drones e satélite.
O SUS também precisa de atenção, já que secas, chuvas e altas temperaturas afetam a saúde com problemas respiratórios, insolação e surto de dengue.
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa)
A ciência já fez o alerta. Agora, cabe ao Estado amenizar os efeitos nefastos do El Niño (Folha)




