- Ministério da Agricultura intensificou fiscalização devido a reclamações da China
- Setor privado já vinha alertando sobre a necessidade do controle sanitário
A Cargill suspendeu as exportações de soja do Brasil para a China, após mudanças na inspeção fitossanitárias pelo governo brasileiro, segundo notícia de Nova York da agência Reuters. A medida trouxe apreensão ao mercado.
Em entrevista à Folha, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, diz que não houve nenhuma mudança no sistema, mas apenas uma intensificação na verificação de presença de sementes de ervas daninhas nos carregamentos de soja para o país asiático.
“O Ministério da Agricultura não está mudando nada, só intensificou a fiscalização por reclamação da China. A soja brasileira não está fora de padrão comercial. Ela não tem problema nenhum”, segundo o ministro. O problema é a presença de sementes de ervas daninhas que não constam no protocolo com o governo chinês. E eles estão reclamando, afirma. “Imaginem se a China afirmar que a soja brasileira não tem qualidade e deixar de comprar”, acrescenta.
O ministério passou a receber notificações da GACC (General Administration of Customs of China), a alfândega chinesa, sobre falta de qualidade sanitária na soja nacional. Ela tem padrão comercial, que é de 1.8.14. Ou seja, a soja pode conter até 1% de impureza; até 8% de avariados, e de 13 a 14 graus de umidade. Só que existe um protocolo sanitário que o carregamento não pode conter ervas daninhas que não existam no país comprador. Faz parte do acordo, diz Fávaro.
“Chamamos as empresas e pedimos providências, afinal esse é o segundo principal produto de exportação da balança comercial brasileira.” Foi feita uma intensificação das coletas para a verificação da presença de sementes de ervas daninhas, e essas amostras são mandadas para análise laboratorial. Já tivemos o caso de um navio que, após a análise, foi liberado. Outros 19 ainda aguardam”, afirma Fávaro. Se for verificada a presença de erva daninha, o carregamento terá de ir para outro destino.
O problema é contornável, segundo o ministro. Já que o produto é tão importante para os dois mercados, os dois governos e os players do setor devem discutir o assunto, e ajustar um novo protocolo sanitário com relação a essas sementes.
O próprio setor já vem alertando a cadeia sobre a necessidade evitar a presença de ervas daninhas na soja exportada para a China. A publicação “Alerta para a Cadeia Produtiva da Soja”, produzida pela Abiove, Anec, Sistema OCB e Acebra, fala sobre a importância da não presença de sementes tratadas e pragas quarentenárias nos carregamentos destinados à China, o que pode ser uma ameaça ao principal mercado brasileiro da oleaginosa.
As associações alertam que os cuidados devem vir do campo, no combate às ervas daninhas e na colheita; na recepção da soja pelos armazéns, que devem inspecionar as cargas; no transporte, com verificação da limpeza dos caminhões, e nos portos.
“O preço da soja está ruim, o mercado está baixista, mas o governo brasileiro precisa ser responsável com a qualidade. Por mais que isso seja dolorido, estamos mostrando a seriedade do sistema sanitário brasileiro”, afirma Fávaro (Folha)






