Por Igor Savenhago
Apesar da percepção de expositores de que o público foi menor, a organização divulgou que 197 mil pessoas visitaram o evento, mesmo número do ano passado
A organização da Agrishow, feira internacional de tecnologia agrícola que terminou nesta sexta-feira, 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), divulgou que os cinco dias do evento movimentaram R$ 11,4 bilhões em negócios, queda de 22% na comparação com a edição do ano passado, quando foram apurados R$ 14,6 bilhões. O montante inclui máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e de armazenagem.
O público registrado foi de 197 mil pessoas, o mesmo de 2025, apesar da percepção de muitos expositores de que houve menos visitas nos estandes. Os números foram divulgados em coletiva de imprensa, da qual participaram o presidente da feira, João Carlos Marchesan, o presidente de honra, Maurílio Biagi, e Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq), uma das organizadoras.
Para Marchesan, os resultados refletem as condições de mercado. Segundo ele, fatores como juros elevados, preços das commodities mais baixos por causa da queda do dólar e inadimplência dos produtores limitam a capacidade de crédito para investimentos em novas tecnologias. “Estamos vivendo uma tempestade para o agro”, argumentou.
Ele lembrou que os conflitos no Oriente Médio também geram apreensão, o que faz os agricultores adotarem cautela. O presidente da feira, que foi confirmado no cargo para a Agrishow 2027, também mencionou o programa de R$ 10 bilhões anunciado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no último domingo, 26, durante a abertura do evento.
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Marchesan explicou que havia um pedido ao governo federal para que fosse liberada uma linha especial antes da realização da Agrishow, para que os produtores já pudessem usá-la. “Como ainda não começou a operacionalização, isso atrapalhou”. A linha divulgada por Alckmin deve entrar em vigor dentro de duas semanas e a taxa de juros ainda não foi definida.
Pedro Estevão, da Abimaq, disse que a queda registrada na feira deste ano é muito próxima da que foi registrada no mercado brasileiro de máquinas agrícolas no primeiro trimestre deste ano, de 19,9%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Já Biagi declarou que, apesar da redução, ficou positivamente surpreso. “Esperava ainda menos.”
Para o ano que vem, a data de realização da Agrishow já foi anunciada: 26 a 30 de maio.
Percepções
Entre os expositores, a percepção foi de redução de público. No entanto, segundo eles, os visitantes tinham perfil mais qualificado para investimento e objetivos claros.
Na Prix/Toledo do Brasil, tradicional empresa de balanças, a expectativa era de fechamento positivo de negócios, puxado por compradores com os quais já havia negociações em andamento. “Disponibilizamos condições especiais durante a feira e trouxemos os clientes para fechar aqui negócios iniciados antes”, afirmou César Cabrera, gerente regional da Toledo.
Mesmo que o balanço final aponte o cumprimento das metas de vendas, Cabrera afirma que as margens serão menores. “Tivemos de diminuir os ganhos porque o agronegócio, como um todo, está em uma realidade bastante apertada.”
A Tritucap, fabricante de trituradores de alto desempenho, celebrou os resultados. A empresa voltou à feira após sete anos e vendeu 31 máquinas, além de outras 27 em estágio avançado de negociação.
Fora da feira desde 2019, por causa de impactos provocados pela pandemia da covid-19, a companhia decidiu retomar sua participação, aproveitando o cenário que considera favorável para o setor cafeeiro. De acordo com o diretor, Eduardo Alves Ferreira, as vendas ultrapassaram as expectativas e já impulsionam planos de crescimento para a próxima edição. “Tínhamos uma projeção positiva com o lançamento direcionado ao café, que atravessa um bom momento, mas o volume comercializado superou em três vezes o esperado.”
A Kawashima, empresa brasileira de origem japonesa, que lançou na feira um cortador de grama equipado com motor de carro 1.0, voltado à agricultura familiar, não fala ainda em resultados financeiros, mas Ivanildo Diniz, supervisor da marca CCM do Brasil (detentora da Kawashima), avalia que os contatos estabelecidos na feira abrem boas perspectivas para o restante do ano.
“Foram contatos qualificados. Recebemos visitantes de vários Estados brasileiros, como Mato Grosso, Goiás, Pará, Piauí, Santa Catarina e, principalmente, Paraná, Minas Gerais e São Paulo, regiões onde a agricultura familiar é forte.” (Estadão)
Agrishow registra queda nas vendas pela primeira vez em 11 anos
Por Marcelo Toledo
- Feira gerou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, ante R$ 15,2 bilhões em 2025
- Apesar do revés, algumas empresas bateram metas de vendas para segmentos como café
A Agrishow, principal feira do agronegócio no país, apresentou redução nas vendas pela primeira vez nos últimos 11 anos, ao gerar R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios na edição deste ano, que termina nesta sexta-feira (1/5).
Os números foram apresentados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), uma das entidades realizadoras do evento, e mostram recuo de 25% em comparação aos R$ 15,2 bilhões gerados no ano passado. O valor foi atualizado pela inflação do período.
É apenas a segunda vez, em 31 anos de história, que a principal feira agro do país sofre revés nos negócios, considerando-se os valores nominais de cada edição. A anterior foi em 2015, quando viu as vendas diminuírem 30% em comparação com o ano anterior.
Com 800 marcas expostas, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) já tinha sinalizações de que os negócios em Ribeirão Preto (SP) não alcançariam a marca do ano passado a partir das incertezas econômicas e políticas e do desempenho de outras feiras do agro.
A Tecnoshow, realizada pela cooperativa Comigo em Rio Verde (GO) no início de abril, viu os negócios recuarem 30% neste ano, após gerar R$ 10 bilhões em 2025.
O cenário fez a Agrishow, pela primeira vez nos últimos anos, abrir a feira sem projetar faturamento. O Banco do Brasil, principal ente financeiro presente na feira, iniciou a feira projetando receber R$ 3 bilhões em propostas, R$ 1,75 bilhão a menos que os R$ 4,75 bilhões gerados em 2025, mas acabou superando a estimativa.
A previsão inicial foi alcançada às 18h desta quinta-feira (30) e contempla, conforme o banco, investimentos em máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio.
Segundo a Abimaq, a feira foi visitada por 197 mil pessoas entre segunda-feira (27) e esta sexta, o que indica “que a Agrishow permanece sendo a vitrine do agronegócio brasileiro”, conforme a organização.
“Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities”, disse Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implemento agrícolas da Abimaq.
O mês de março apresentou crescimento nas vendas em comparação com março do ano passado, mas o primeiro trimestre foi ruim para a venda de tratores e colheitadeiras, conforme dados divulgados pela Abimaq na quarta-feira (29).
Foram comercializados ao usuário final 9.215 tratores entre janeiro e março, ante os 10.087 do trimestre inicial de 2025, o que indica queda de 8,64%. Já as vendas de colheitadeiras recuaram mais, 40,62%, passando de 1.250 para as atuais 761.
Apesar da retração nos negócios, muitas empresas alcançaram as metas previstas na feira agrícola, como a Tritucap, de Sertãozinho (SP), que voltou à Agrishow após sete anos com uma máquina para a erradicação sustentável de lavouras de café –que substitui a prática da queima na renovação de cafezais.
A empresa comercializou 31 máquinas e tem outras 27 em fase avançada de negociação com os clientes, número que superou em três vezes a meta de vendas.
O diretor Eduardo Alves Ferreira disse que esperava bons negócios pelo momento favorável da cafeicultura, mas que o resultado surpreendeu.
Na XCMG Brasil, que comercializa máquinas pesadas da marca chinesa, os negócios subiram até 10% em relação ao ano anterior. Foram lançados dois modelos de tratores agrícolas e um sobre esteiras.
Já a Herbicat, que atua no ramo de equipamentos e acessórios de aplicação e insumos, afirma ter registrado mais de 300 contatos de interessados e estima que até 20% deles representem vendas no pós-feira. A avaliação da empresa é que o cenário atual é oportuno para produtores investirem aproveitando preços mais atrativos dos equipamentos.
Além da Abimaq, a Agrishow é realizada por outras quatro entidades: Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), Faesp (Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo) e SRB (Sociedade Rural Brasileira) (Folha)






