Café: Mercado segurando, até quando?

Por Marcelo Fraga Moreira

O contrato julho-26 encerrou a semana com nova queda de 850 pontos @ 286,40 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 294,90 / 294,90 / 284,05 / 286,40 centavos de dólar por libra-peso). E o R$ encerrou a 4,9525 R$/US$.

Creio que dessa vez a combinação NY + R$/US$ + diferencial de compra ajudou o mercado a continuar se sustentando nos 290,00 centavos de dólar por libra-peso.

O Brasil já está em colheita. A colheita do conilon indo muito bem e a colheita do café arábica já acontecendo em algumas fazendas. Em breve o mundo terá novamente uma oferta disponível para ser exportada – apenas do Brasil – acima dos 48 milhões de sacas (considerando segundo a estimativa dos principais agentes do mercado uma safra brasileira 26/27 acima dos 70,00 milhões de sacas).

O Brasil continua sofrendo concorrência do Vietnam. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã as exportações de café do em 2025 aumentaram +17,5% para 26,34 milhões de sacas. Agora no primeiro trimestre de 2.026 o Vietnam exportou 9,75 milhões de sacas (aumento de +14% contra mesmo período de 2.025). E a produção estimada agora para a safra 25/26 aumentou para 29,40 milhões de sacas!

Descontando a quantidade já embarcada, então o Vietnam ainda tem +19,65 milhões de sacas para despejar no mercado mundial nos próximos 8 meses (aproximadamente +2,45 milhões de sacas/mês). E uma nova safra a ser colhida já a partir de novembro-26!

Considerando a safra brasileira em “apenas” 70 milhões de sacas e o consumo interno ainda em 22 milhões de sacas (segundo a ABIC) o Brasil vai ter disponível 48 milhões de sacas para exportar já a partir do próximo mês de junho-26! – claro que a quantidade expressiva do café arábica apenas a partir do mês de julho-26.

Em breve começam também as colheitas na América Central e nos países africanos!

Por que então os preços não caíram ainda? No curto prazo o produtor brasileiro está capitalizado e ainda segurando estoque procurando preços melhores. Algumas tradings deixaram para cobrir as posições na “última hora” e agora estão originando no “preço que o produtor quer vender”!

Continuam saindo negócios entre 1.800-2.000 R$/saca para o café arábica tipo 6! Porém a partir de agosto/setembro-26 os preços continuam sinalizando uma liquidação ao redor dos 1.550 R$/saca (durante a semana houveram momentos onde o mercado chegou a indicar preços já abaixo dos 1.500 R$/saca)!

O café conilon conseguiu uma recuperação na semana o vencimento maio-26 encerrou @ 3.568 US$/tonelada (214,04 US$/saca e com o R$ @ 4,9525 R$/US$ equivale @ 1.059 R$/saca). No Brasil o mercado voltou a negociar acima dos 950-980 R$/saca.

Essa “alta de curto prazo”, a meu ver, está criando uma falsa expectativa para o produtor, com alguns analistas sinalizando a possibilidade do mercado voltar a negociar >= 350 centavos de dólar por libra-peso!

O julho-26 está construindo um suporte importante nos 290 centavos de dólar por libra-peso (média-móvel dos 50 dias). Para confirmar a alta o julho-26 precisa ultrapassar os 305 centavos de dólar por libra-peso e em seguida a média-móvel dos 200 dias – que está nos 317 centavos de dólar por libra-peso.

Se o julho-26 não conseguir se segurar acima dos 290 centavos de dólar por libra-peso os próximos suportes estão nos 280 e 272 centavos de dólar por libra-peso. Se perder os 272 centavos de dólar por libra-peso os fundos+especuladores poderão “empurrar” o mercado para os 220 centavos de dólar por libra-peso!

Se este “caos” acontecer, se a safra brasileira vier mesmo acima dos 70/75 milhões de sacas, o café arábica poderá voltar a negociar no patamar dos 1.100 R$/saca (NY @ 220 centavos de dólar por libra-peso)!

A exportação brasileira no mês de abril-26 deverá encerrar novamente próximo dos 3,00 milhões de sacas. Continuo acreditando que o mesmo deverá acontecer em maio-26 e junho-26, com o Brasil encerrando as exportações no período julho-25/junho-26 próximo dos 38 milhões de sacas (contra 45,79 milhões de sacas na safra anterior).

Com todo esse caos geopolítico que estamos assistindo (com petróleo acima dos 100 usd/barril e alguns grandes bancos indicando que poderá atingir os 140 usd/barril até o final do ano) o poder de compra do consumidor final ao redor do mundo irá sofrer. Os fretes rodoviários e marítimos já estão “explodindo”, e como sempre, quem acaba “pagando a conta” é o produtor!

Na minha visão, só veremos o mercado voltar a entrar em “tendência de alta” se conseguir romper a média-móvel dos 200 dias (317 centavos de dólar por libra-peso no julho-26 e 310 centavos de dólar por libra-peso no set-26). E para isso acontecer creio que apenas com uma grande geada agora no próximo inverno brasileiro que poderá afetar a safra 27/28!

Caso contrário infelizmente creio que veremos o mercado corrigir rápido!

Então, PRODUTOR: como sempre PROTEJA-SE!

Aproveite ainda a oportunidade dos preços para o ago/set-26 e ago/set-27 acima dos 1.500/1.600 R$/saca. E para o café conilon creio que preços acima dos 1.000 R$/saca também devem ser aproveitados para a próxima safra 27/28!

Produtor: “Faça alguma coisa”. E não fique apenas “olhando e torcendo” para o clima ser o “salvador da pátria”. (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)

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