Plano Safra: Volume de recursos abaixo do solicitado pelos ministérios?

Sinalizações são de que não haverá “ousadias”, mas que juros serão ajustados, principalmente para a agricultura empresarial.

As dificuldades de funding para irrigar as linhas de crédito rural e de orçamento federal para a equalização das taxas aos produtores deverão limitar a expansão dos recursos no Plano Safra 2026/27 e a adoção de um corte mais acentuado ou generalizado nos juros.

A expectativa é que os valores fiquem abaixo dos R$ 652 bilhões pedidos pelos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário para pequenos, médios e grandes produtores. As sinalizações são de que não haverá “ousadias”, mas que juros serão ajustados, principalmente para a agricultura empresarial.

Essa é a avaliação de uma fonte graduada em Brasília após a reunião técnica da equipe que trabalha na construção do Plano Safra na Casa Civil nesta quarta-feira (17/6).

Às 17h, os ministros André de Paula (Agricultura), Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário) e Dario Durigan (Fazenda) participam de uma nova reunião no Palácio do Planalto para discutir detalhes das propostas.

Mais cedo foram apresentadas as estimativas de custos para o Tesouro Nacional para a equalização de juros na próxima temporada e as disponibilidades de fontes para abastecer as linhas do crédito rural. Não foram divulgados números, mas pessoas que participaram da reunião ressaltam que não há folga orçamentária que permita expansões de valores e recuo de juros para todos os públicos.

Há dificuldade, principalmente, com a composição de fontes para as linhas. As exigibilidades bancárias já estão em patamares altos, mas boa parte dos recursos está comprometida com prorrogações ou renegociações de operações e parcelas atrasadas de produtores. Com isso, há pouco “dinheiro novo” para outros financiamentos a partir de julho.

Os ministérios setoriais sabem disso e têm defendido a manutenção do direcionamento dos depósitos bancários (31,5%), da poupança rural (70%) e das Letras de Crédito do Agronegócio (60%). Os índices correspondem aos percentuais sobre as captações feitas nessas fontes que bancos e cooperativas de crédito precisam manter aplicados em crédito rural ou títulos do agronegócio na safra.

O Banco Central sinalizou a necessidade de redução desses percentuais, disse uma fonte. O aumento de direcionamento impacta em outros produtos financeiros e na inflação. Geralmente, para compensar dificuldades de cumprimento dessas exigências, os agentes financeiros cobram mais em outros itens.

Ainda não há definição sobre o tema. Para compor o funding, o governo deverá incorporar ao Plano Safra a linha do Move Agricultura, programa que terá R$ 14 bilhões de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com juros anuais de 9,2%.

Ainda não há clareza total sobre disponibilidade dessas fontes do direcionamento para a safra 2026/27 se mantidas as exigibilidades atuais. Isso porque parte dos recursos poderá ser destinada para a renegociação de dívidas, em discussão no Congresso Nacional e no governo.

Para fontes que estiveram no encontro, o Plano Safra ficará acima de R$ 600 bilhões, mas abaixo dos R$ 652 bilhões iniciais pedidos pelas Pastas. O foco maior será no custeio, já que a contratação de investimentos está em ritmo menor dado o alto patamar atual dos juros.

O Ministério da Agricultura confia que será atendido, mesmo que parcialmente, com ajustes nos juros. O pedido foi para corte de dois pontos percentuais. A linha de custeio deverá ser priorizada. Atualmente, médios produtores pagam 10% ao ano e grande, 14%.

Na agricultura familiar, que tem juros de 2% a 6%, os ajustes devem ser pontuais (Globo Rural)

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