Segmento esperava entrar na lista de exceções do governo americano, o que não ocorreu.
A proposta de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos gerou um ambiente de tensão na indústria de café solúvel do Brasil. Até esta terça-feira (2/6), o segmento esperava entrar na lista de exceções do governo americano, e não foi o que ocorreu.
Diferentemente de outras categorias de café, como o verde e o torrado e moído, a entrada do solúvel no mercado americano estava sujeita a uma cobrança de 10%. Com o proposto pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), essa taxa passa a 35%, o que preocupa a indústria brasileira.
“Estamos tensos. A gente percebe que o governo dos Estados Unidos quer um acordo com o Brasil e vai depender dessas negociações”, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo José de Lima.
Ele afirma que, pelo menos por enquanto, não há, por parte da entidade, um plano de reação à nova medida do governo de Donald Trump. A definição da estratégia ainda dependerá dos entendimentos do setor privado com o governo brasileiro.
Lima pontua, por outro lado, que os canais de conversa com as autoridades americanas estão mais abertos do que em períodos anteriores.
“Antes, estava muito difícil. Agora, temos um ambiente para discutir isso. Existe a possibilidade de enviarmos comentários, vamos ter audiências”, disse.
A Casa Branca propôs a nova tarifa como consequência da investigação comercial contra o Brasil, com base na seção 301 da Lei de Comércio. As autoridades americanas devem tomar uma decisão sobre a nova taxação até o dia 6 de julho.
Em comunicado, a Associação Brasileira dos Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) manifestou preocupação com a proposta do USTR, reforçando a preocupação com as consequências para a indústria de café solúvel.
A entidade avalia que restrições comerciais podem ter consequências negativas para toda a cadeia produtiva do café no Brasil. E informa que manterá o contato com os americanos para prestar os esclarecimentos necessários que possibilitem a isenção de tarifas para todos os tipos de café do Brasil.
“A proposição apresentada pelo USTR se trata de medida em processo regulatório ainda em andamento e não representa uma decisão definitiva do governo dos EUA. a BSCA reforça seu compromisso com a defesa de condições justas de comércio para todos os cafés brasileiros”, diz a nota.
A isenção do café solúvel brasileiro tem apoio da indústria americana. Em maio, no Seminário Internacional do Café, em Santos (SP), Bill Murray, presidente da National Coffee Association (NCA), disse que há argumentos para incluir o produto entre as exceções à tarifa de importação.
Ele lembrou que o café solúvel é importante para o consumidor e para a indústria americana de bebidas prontas, que o utiliza como insumo em diversas formulações.
“Muitas pessoas consomem o café solúvel e estão preocupadas com a situação econômica. Está muito claro que precisamos de uma exceção”, disse ele, à época, durante o evento (Globo Rural)




