China reconhece Brasil como livre da febre aftosa

  • Medida foi tomada após pedido de reconhecimento pelo Ministério da Agricultura e Pecuária
  • Anúncio ocorreu às vésperas de viagem do chanceler Mauro Vieira a Pequim

China reconheceu o Brasil como país livre da febre aftosa, revogando uma série de medidas que restringiam a plena exportação de carne bovina ao país asiático.

A nova determinação revoga decisões chinesas de 2002, 2005 e 2009, sendo a última a que reconhecia apenas Santa Catarina, Acre, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, e a região centro-sul do Pará como livres da doença. Também afirmava que Bahia, Tocantins e Mato Grosso do Sul, com exceção de zonas de monitoramento designadas, também estavam sem a febre aftosa.

A medida foi anunciada um ano após o governo brasileiro, por meio do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), solicitar às autoridades chinesas o reconhecimento do país como livre da doença sem vacinação. Isso significa que o território nacional conseguiu eliminar de forma eficaz a circulação do vírus da febre aftosa e não precisa mais aplicar vacinas para manter a enfermidade sob controle.

Pouco antes do pedido, em meados de maio, o país foi declarado livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A decisão mobilizou a Embaixada do Brasil em Pequim a sugerir um pedido formal à Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) e ao Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.

Em 2024, o governo já havia recebido uma missão técnica chinesa para verificar os controles sanitários do país em relação à carne bovina. Apesar de a avaliação ter sido positiva, a autoridade aduaneira de Pequim solicitou informações adicionais.

No ano seguinte, o governo enviou mais informações técnicas à China, com detalhes sobre os programas de erradicação e vigilância.

O Brasil responde pela maior parte das importações de carne bovina do país asiático, e busca saídas para sobreviver à salvaguarda para a commodity imposta por Pequim no fim do ano passado, determinando uma cota máxima para importação por país entre 2026 e 2028. No período, todos aqueles que exportam para a China terão uma cota máxima anual, e caso ultrapassem esse valor, serão taxados em 55%.

No caso do Brasil, a decisão estabelece um limite anual equivalente a cerca de 65% do total exportado pelos frigoríficos brasileiros em 2025, o que causará redução global estimada em cerca de 10% nas vendas dos produtos bovinos ao exterior, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

O reconhecimento do Brasil como livre da doença foi anunciado às vésperas da visita do chanceler Mauro Vieira a Pequim nesta semana. O ministro viajou à capital do país asiático para a 5ª edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China, mecanismo de consulta política entre os chanceleres dos dois países que ocorre desde 2014.

Na ocasião, foram discutidos temas como as trocas bilaterais, em especial a necessidade brasileira de comprar mais fertilizantes. O Brasil é dependente da importação desses insumos e teve a China como principal origem em 2025.

Em viagens anteriores ao Uzbequistão e ao Cazaquistão, o chanceler também teve o abastecimento de fertilizantes como pauta central, uma vez que a instabilidade provocada no setor pela guerra no Irã tem gerado preocupação entre os agricultores para o plantio da safra de verão (Folha)

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