Agronegócio brasileiro será menos afetado com as novas tarifas

  • Trump retira da lista produtos agrícolas que mais vêm pressionando a inflação
  • Após alta de alimentos, consumidor sofre com combustível, que também afeta o agro

Desta vez, o agronegócio não sofreu o impacto da lista de tarifas impostas ao Brasil como no ano passado. Donald Trump, após as barbeiragens de 2025, que lhe custaram caro, deixou de lado produtos que trouxeram custos e inflação para os americanos, devido às pesadas barreiras tarifárias.

A alimentação não tem grande peso no bolso dos americanos, comparada com outros itens. De cada US$ 100 gastos, em média, US$ 13,6 são destinados à alimentação. No Brasil, esse custo chega a ser o dobro. Os aumentos causados pelo tarifaço do ano passado foram tão elevados, no entanto, que ainda são sentidos no bolso pelos americanos.

Os principais produtos do agronegócio ficaram fora da lista, mas a aplicação das taxas de 2025 pesaram sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Os americanos foram para outros mercados, devido ao custo elevado do produto brasileiro e, mesmo depois da eliminação da taxa de 50%, os brasileiros ainda não recuperaram o mercado que tinham.

O café, principal item da balança brasileira com os Estados no setor, rendeu US$ 785 milhões nos três primeiros meses de 2025, mas o valor recuou para US$ 532 milhões neste ano, segundo dados do governo americano. De janeiro a março do ano passado, a Colômbia havia exportado 8% a menos do que o Brasil para os Estados Unidos, mas neste ano supera em 46% os brasileiros.

Os números do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que outros países ganharam mercado nos Estados Unidos. Honduras tem, neste ano, uma evolução de 158% nas exportações de café, em relação ao início de 2025; a Guatemala, de 104%, e os alemães, que não produzem café, de 106%.

Na carne, a Austrália voltou a liderar as vendas para os Estados Unidos, mas o Brasil conseguiu ampliar em 36% as exportações do primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período de 2025. Os brasileiros venderam 120 mil toneladas para os americanos, segundo números do Usda. Para a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), esse montante já chega a 150 mil toneladas até abril.

Trump foi obrigado a isentar boa parte dos produtos agrícolas brasileiros, uma vez que os americanos ainda estão pagando caro pelos itens nos quais o Brasil é líder em exportação. Os dados mais recentes do Bureau of Labor Statistics, referentes a abril, indicam que o café em pó está com alta de 18,5% no país nos últimos 12 meses. Já o solúvel acumula elevação de 23%.

No setor de carnes, a dependência dos americanos da importação de carne bovina é cada vez mais crescente, devido à queda no número de cabeças de gado do país. No ano passado, os americanos gastaram US$ 14 bilhões com importações no setor, 30% a mais do que no ano anterior. Dependendo do corte, a carne bovina tem aumento de 15% a 18% nos Estados Unidos, taxa bem superior à inflação média dos alimentos de 3,2%.

A herança das tarifas recai ainda sobre vários outros alimentos, como pescados, frutas e vegetais, que ainda mantêm taxa elevada de aumento em 12 meses. Após as tarifas, Trump trouxe, com a guerra no Oriente Médio, outro fator de peso para o bolso do consumidor. Pressionados por custos, alguns itens de ciclo mais curto, como o tomate, tem aumento acumulado de 40% em 12 meses.

A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã aumentou os custos de produção, principalmente com a elevação dos preços dos fertilizantes. Além deles, os custos com óleo combustível subiram 54%, e os com gasolina, 28%, afetando o transporte de alimentos.

Os americanos deverão ter um déficit de US$ 29 bilhões neste ano fiscal (outubro a setembro) na balança do agronegócio, o que mostra um alívio em relação aos US$ 44 bilhões do ano fiscal anterior. Neste primeiro trimestre de 2026, o déficit soma US$ 5 bilhões (Folha)

Related Posts

  • All Post
  • Agricultura
  • Clima
  • Cooperativismo
  • Economia
  • Energia
  • Evento
  • Fruta
  • Hortaliças
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Notícias
  • Opinião
  • Pecuária
  • Piscicultura
  • Sem categoria
  • Tecnologia

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Quer receber notícias do nosso Diário do Agro?
INSCREVA-SE

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© 2024 Tempo de Safra – Diário do Agro

Hospedado e Desenvolvido por R4 Data Center