Copersucar vê mais moagem de cana e alta do açúcar até o fim da safra

Companhia registrou recordes de volumes movimentados de açúcar e etanol.

A Copersucar encerrou a safra 2025/26 com um aumento de 56,9% em seu lucro líquido, que alcançou R$ 631 milhões. A companhia registrou um volume histórico de açúcar movimentado, em uma temporada em que suas usinas associadas elevaram a moagem de cana-de-açúcar, na contramão do setor.

A receita líquida cresceu 5,5% para R$ 65,8 bilhões. Por meio da Alvean, sua trading de açúcar, foram movimentados 15 milhões de toneladas de açúcar no mercado internacional. Considerando também o volume comercializado no mercado interno, o volume movimentado pela Copersucar alcançou 17 milhões de toneladas.

O produto foi originado tanto de suas usinas associadas como de terceiras. Apenas suas usinas associadas processaram 108 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, uma alta de 0,9%. Ao longo da temporada, 39 usinas contribuíram com a oferta de produtos comercializados pela Copersucar. “O desenho do modelo Copersucar propicia a especialização. As usinas estão focadas nos cuidados do solo”, afirmou Tomás Manzano, CEO da companhia, em teleconferência com jornalistas sobre os resultados do último ciclo.

A companhia, que detinha 50% da comercializadora de etanol Evolua, com atuação no Brasil, e 100% da EcoEnergy, que atua nos Estados Unidos, movimentou na safra passada um total de 21 bilhões de litros de etanol, um volume que também foi recorde.

Além disso, as usinas associadas à Copersucar geraram 6,5 mil gigawatts-hora (GWh) de energia a partir da queima da biomassa da cana-de-açúcar. A Newcom, sua comercializadora de energia no mercado livre, negociou 11 mil GWh.

No lado financeiro, a Copersucar encerrou com um caixa superior a suas dívidas (líquidas de estoques) no montante de R$ 607 milhões. Na safra passada, a companhia encerrou o ciclo com uma dívida líquida de R$ 301 milhões.

“Esse resultado demonstra a robustez do nosso modelo de negócios. Com um plano estratégico claro, uma governança sólida, muita disciplina financeira, gestão de riscos e um time com profundo conhecimento do mercado, temos flexibilidade e resiliência para enfrentar diferentes cenários, diversificar receitas e seguir crescendo de forma consistente ao longo dos ciclos econômicos”, afirmou Tomás Manzano, presidente da Copersucar, em nota.

Perspectiva para 2026/27

A Copersucar estima que a base de suas usinas associadas no Brasil aumentará o volume de cana processado nesta safra 2026/27 e o volume de açúcar comercializado, e espera que os preços do açúcar não continuem em patamares tão baixos como os atuais até o fim da temporada.

Para a safra atual, houve a entrada de quatro novas usinas, adquiridas por empresas associadas, e a saída de uma usina de sua base. As 42 usinas que a Copersucar tem hoje associadas em sua base devem processar entre 125 milhões e 128 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, disse o executivo.

O acréscimo da moagem deve refletir tanto o maior número de usinas em sua base como também investimentos em expansão de área por parte das usinas já existentes, além de ganhos de produtividade esperados para esta temporada, explicou.

No fim de 2025/26, houve a saída da Usina Diana do sistema Copersucar. Por outro lado, a Cocal e a Ferrari compraram usinas da Raízen ao longo da temporada, enquanto a Virálcool coprou uma usina da Tereos. Eles começarão a ofertar produtos para a Copersucar neste ciclo.

O executivo disse que espera que o volume de açúcar comercializado na safra atual volte e crescer, mas preferiu não apresentar uma perspectiva. Segundo ele, a companhia tem o objetivo de triplicar o volume de açúcar originado de usinas de fora de sua base, mas não tem um prazo.

Preços

A situação do mercado, por sua vez, está mais desafiadora. Os preços de açúcar e etanol estão em níveis baixos historicamente. Para o mercado de açúcar, o CEO da Copersucar disse que as cotações estão sendo pressionadas pelos fundos especulativos, e “não parece sustentável que os preços fiquem abaixo do custo até o fim da safra”.

Ele observou que o El Niño pode prejudicar a safra de países concorrentes do Brasil, enquanto o impacto para a produção nacional ainda é incerta. Segundo ele, o fenômeno tende a provocar chuvas durante o inverno, o que pode melhorar o desempenho do canavial, mas provocar interrupções na moagem e nos embarques. “No geral, pode ter um efeito mais construtivo para o mercado”, disse.

Para o mercado de etanol, Manzano disse que o cenário é pressionado por uma sobreoferta, mas ele disse que a situação não é estrutural, já que a oferta pode ser reduzida se houver redução do direcionamento da cana para o bicombustível (Globo Rural)

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