Conab mostra avanço desigual nas colheitas de milho, algodão e trigo no Brasil

Segunda safra de milho atinge 84,7% da área semeada até o último sábado (15)

O boletim de progresso de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no sábado (15/8), mostra um cenário misto para algumas culturas que são imprescindíveis para a economia nacional. Enquanto a colheita de algodão avança em ritmo acelerado, milho e trigo seguem em compassos distintos, refletindo as particularidades climáticas e logísticas de cada região produtora.

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 atingiu 84,7% da área semeada até o último sábado (15), avanço de 6,5 pontos percentuais na semana. Apesar do ritmo mais forte, o resultado ainda fica atrás dos 89,3% registrados no mesmo período da safra 2024/25 e da média dos últimos cinco anos (86,6%). Estados como Minas Gerais (62%) e Paraná (60%) ainda têm parcela relevante da lavoura no campo, enquanto Tocantins e Maranhão já encerraram a colheita.

Já a colheita de algodão de 2025/26 apresenta o cenário mais positivo entre as três culturas: alcançou 59,6% da área semeada, avanço expressivo de 15,9 pontos percentuais na semana, superando o ritmo da safra passada (48,9% no mesmo período). Maranhão e Piauí lideram, com 84% da área colhida, seguidos por Mato Grosso do Sul e Goiás (77%). Mesmo assim, o resultado ainda está 4,9 pontos percentuais atrás da média histórica dos últimos cinco anos.

O trigo, em 2026, por sua vez, está apenas no início do ciclo de colheita, com 4,7% da área concluída; isso representa um avanço de 1,4 ponto percentual na semana, mas com um ritmo mais lento que o registrado na safra de 2025/2026 (6,3% no mesmo período). Goiás lidera com 70% da área colhida, enquanto os dois maiores produtores nacionais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ainda não iniciaram a colheita, o que é um indicativo de que o grosso da safra de trigo brasileira segue por vir nas próximas semanas.

Segundo Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, a oscilação do clima contribui para a escassez de nutrientes no solo: “Tem região aquecendo quando devia estar frio, e região alagando quando devia estar seca, e a planta não perdoa esse tipo de instabilidade justamente na fase em que ela mais precisa de nutriente disponível. Não dá para controlar o clima, mas dá para garantir que a planta tenha o que precisa para não perder potencial produtivo no meio do caminho. É aí que a nutrição líquida bem aplicada faz a diferença”. 

Para o setor, esse descompasso entre culturas reforça a importância de estratégias de manejo diferenciadas por região e por lavoura. Enquanto produtores de algodão já avançam para a comercialização, quem ainda tem milho ou trigo no campo enfrenta uma janela mais apertada para decisões sobre fertilização, proteção da lavoura e logística de escoamento, especialmente em estados onde a colheita está mais atrasada em relação à média histórica.

O comportamento dos preços domésticos também tende a refletir esse cenário nas próximas semanas. Com oferta ainda concentrada em poucos estados para milho e trigo, e um volume maior de algodão já disponível no mercado, compradores e tradings devem monitorar de perto a evolução regional das colheitas para ajustar suas estratégias de compra e formação de estoques.

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