Embrapa disponibiliza agenda estratégica para a agricultura a candidatos das eleições 2026

Com o objetivo de contribuir para a construção de propostas para a sustentabilidade da agricultura no país, a Embrapa disponibilizou aos candidatos aos cargos dos poderes Executivo e Legislativo (federais e estaduais), nas eleições de 2026, o documento Agenda estratégica para a agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação. A publicação reúne evidências científicas, diagnósticos e recomendações voltadas ao fortalecimento da agricultura brasileira e defende a ampliação e a estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia, inovação e inclusão socioprodutiva.

O material, disponibilizado em embrapa.br para qualquer candidato, bem como para toda a sociedade, tem como propósito subsidiar programas de governo e iniciativas legislativas relacionadas ao setor agropecuário. O documento parte do entendimento de que a agricultura ocupa posição estratégica para o Brasil, não apenas por sua contribuição econômica, mas também por sua relação direta com a segurança alimentar, a adaptação às mudanças do clima, a transição energética, a inclusão produtiva e o desenvolvimento territorial.

E destaca que o Brasil reúne condições singulares para liderar uma agricultura cada vez mais sustentável e baseada no conhecimento, mas enfrenta desafios que exigem ações coordenadas e de longo prazo. Entre eles estão as mudanças climáticas, a persistência de bolsões de insegurança alimentar, as desigualdades no meio rural, a dependência de insumos estratégicos importados e a necessidade de ampliar o acesso à inovação e à conectividade no campo.

Acesse aqui o documento – https://www.embrapa.br/documents/d/portal/agenda-estrategica-para-agricultura-do-brasil

A agenda proposta pela Embrapa está estruturada em seis dimensões estratégicas. A primeira delas é a segurança alimentar e nutricional, que busca fortalecer os sistemas alimentares e ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis e nutritivos. A segunda é a agricultura sustentável e a resiliência à mudança do clima, baseada na adoção de tecnologias de baixo carbono, na recuperação de áreas degradadas e em soluções que permitam à produção agropecuária se adaptar aos efeitos do aquecimento global.

No âmbito da agricultura sustentável, entre os destaques, estão os desafios de aumentar a produção de bioinsumos, garantindo menos impacto ambiental e redução nos custos dos alimentos. A produção de biofertilizantes, inoculantes, bioinseticidas e biofungicidas reduz a dependência de insumos químicos, fortalece a sustentabilidade dos sistemas produtivos e amplia a resiliência da produção agropecuária, principalmente em cenários atuais de guerras e impactos na produção de fertilizantes químicos por países que exportam para o Brasil.

A terceira dimensão é a bioeconomia, que propõe transformar a biodiversidade e a biomassa brasileiras em novos produtos, serviços e oportunidades de negócios, agregando valor às cadeias produtivas e promovendo o desenvolvimento sustentável dos territórios. A quarta é a transição energética e a bioenergia, com a expansão de biocombustíveis, biogás, biometano e outras fontes renováveis capazes de posicionar o Brasil como referência global em soluções de baixo carbono.

O documento também aborda o desenvolvimento territorial e a inclusão produtiva, com foco na redução das desigualdades regionais e na ampliação do acesso à tecnologia, ao crédito e à assistência técnica para agricultores familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais, mulheres e jovens rurais. Por fim, a transformação digital é apresentada como eixo transversal para democratizar o acesso à inovação, ampliar a competitividade e preparar uma nova geração de produtores e trabalhadores rurais em uma economia cada vez mais baseada em dados e conhecimento.

O acesso domiciliar à internet nas áreas rurais avançou expressivamente na última década, alcan­çando 88,0% dos domicílios em 2025, segundo a Pnad Contínua TIC/IBGE. Em 2016, esse percentu­al era de apenas 35,0%. Contudo, persistem gargalos relevantes: a cobertura de rede móvel celular atinge apenas 68,0% dos domicílios rurais e, segundo o Indicador de Conectividade Rural (Conectar AGRO/ UFV), em março de 2025, apenas 33,9% da área agri­cultável do país contava com cobertura 4G e somen­te 48,1% dos imóveis rurais tinham sua área agricul­tável totalmente conectada, restringindo a adoção plena de tecnologias digitais como sensoriamento, IoT e agricultura de precisão no campo.

Por isso, a Embrapa afirma que a ampliação da conectividade rural é con­dição essencial para a modernização da agricultura, a inclusão produtiva e a formação de uma nova gera­ção de produtores e trabalhadores rurais capacitados para atuar em uma economia cada vez mais baseada em dados e conhecimento. 

A publicação também defende a ampliação e a estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia, inovação e inclusão socioprodutiva e a necessidade de formulação de leis e políticas públicas capazes de garantir, de forma permanente, os instrumentos institucionais e financeiros necessários para transformar conhecimento científico em benefícios econômicos, sociais e ambientais.

No âmbito do Poder Executivo, defende o fortalecimento da governança interministerial, a ampliação dos investimentos em pesquisa agropecuária, a consolidação de estratégias de adaptação climática e a promoção da transformação digital no campo. Para o Poder Legislativo, propõe o aperfeiçoamento do marco legal da inovação agropecuária, o fortalecimento das bases legais e orçamentárias da política agrícola, a criação de instrumentos de apoio à bioeconomia e à transição energética e a modernização das políticas de desenvolvimento territorial e inclusão produtiva.

Ao disponibilizar a agenda estratégica aos candidatos das eleições de 2026, a Embrapa busca contribuir para o debate público e para a construção de uma visão de longo prazo para a agricultura brasileira, baseada em ciência, inovação e desenvolvimento sustentável. A iniciativa reforça o papel da pesquisa agropecuária pública como elemento estruturante da competitividade do setor, da soberania e segurança alimentar e da formulação de políticas públicas orientadas por evidências.

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