Comércio do agro com América do Norte ainda não se recuperou

  • Exportação brasileira deste ano para o bloco econômico é 20% inferior à de 2025
  • Com guerra na região, compra brasileira de fertilizantes recua 17% no Oriente Médio

As exportações do agronegócio avançam em vários blocos econômicos neste ano, mas ainda não se recuperaram na América do Norte. As vendas externas brasileiras do setor somam US$ 5,7 bilhões nos cinco primeiros meses deste ano nos Estados Unidos, México e Canadá, mas ficam 20% abaixo das de igual período do ano anterior. Parte desse recuo é explicado pela queda nos preços do café. Após um período de demanda forte e oferta fraca no comércio internacional, os preços desse produto estão em baixa, em relação aos do ano passado.

A América do Norte apresenta, no entanto, retração também nas importações brasileiras de celulose e de madeira, quando comparados os cincos primeiros meses deste ano com os de janeiro a maio de 2025. Dois itens impedem uma queda maior nas exportações: carne e soja. Os Estados Unidos, após as elevadas taxas do ano passado, voltaram a comprar mais a proteína bovina, enquanto o México elevou em 19% as compras de soja do Brasil neste ano.

Na Ásia, o principal bloco para as exportações brasileiras, funcionaram as investidas do setor privado e do governo no mercado vietnamita. As compras de carnes desse país estão 58% superiores às do ano passado. A China, no entanto, continua sendo a grande absorvedora de produtos do Brasil, com acelerados aumentos nas importações de soja, de carnes e de algodão.

A abertura de mercados em Bangladesh, Paquistão e Tailândia garante um aumento na colocação de produtos nacionais no bloco, conforme acompanhamento da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Japão e Índia também ampliaram o comércio com o Brasil, o que não ocorreu com a Coreia do Sul. As importações totais do bloco asiático subiram para US$ 37 bilhões até maio, uma alta de 10%.

O comércio com a União Europeia andou de lado, com as receitas ficando em US$ 10 bilhões, incluindo produtos agrícolas, pecuários, florestais e outros insumos. A Espanha foi uma das exceções, aumentando as compras de soja, carnes e frutas. A França, que importa apenas um terço do que compra a Espanha, diminuiu em 12% as importações no setor de agronegócio do Brasil.

O Oriente Médio manteve os mesmos US$ 4,6 bilhões do ano passado nestes cinco primeiros meses do ano. Já as importações brasileiras da região foram afetadas pela guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã. A compra de fertilizantes recuou para 1,1 milhão de toneladas, 27% a menos do que de janeiro a maio do ano passado.

O continente africano continua demandando açúcar, carnes e cereais brasileiros, e as negociações subiram para US$ 4,5 bilhões, 7% a mais. Esse montante de receitas supera o baixo comércio do Brasil com os países da América do Sul, que ficou em US$ 3,9 bilhões (Folha)

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