Café: Mais uma semana volátil e julho/26 entrando para a história

Por Marcelo Fraga Moreira

 A volatilidade continuou em NY. Durante a semana o vencimento set-26 trabalhou com uma amplitude de 5.860 pontos e encerrou o mês de julho-26 @ 332.10 centavos de dólar por libra-peso! Durante o mês o set-26 chegou a valorizar +20,23% (mínima @ 293,10 e máxima 352,40 centavos de dólar por libra-peso) – e encerrou com uma alta de “apenas” +13,30% (mínima no dia 01 de julho-26 / abertura na semana atual / mínima da semana / máxima da semana / nova mínima da semana / fechamento do mês respectivamente @ 293,10 / 313,90 / 346,65 / 320,90 / 332,10 centavos de dólar por libra-peso).

O mês de julho-26 foi marcado pela alta volatilidade não vista durante os últimos anos, e pela maior alta histórica não vista desde 1.970, com o mercado oscilando em apenas 1 dia mais de 5.800 pontos (no dia 6 de julho). Oscilações diárias entre 1-2.000 pontos passaram a ser consideradas “normais”. (Gráfico semanal no vencimento set-26 desde outubro-2.023).

Em Londres o vencimento set-26 não foi muito diferente! Iniciou o mês @ 3.771 US$/tonelada, atingiu a máxima @ 4.170 US$/tonelada e encerrou o mês @ 3.757 US$/tonelada.

O R$ oscilou entre a mínima do mês @ 5,19 R$/US$, a máxima @ 5,05 R$/US$ e encerrou o mês @ 5.067 R$/US$.

Com toda essa alta, com toda essa volatilidade diária nas bolsas o produtor não conseguiu se beneficiar de todo esse movimento. Como mencionado anteriormente as altas pontuais que estamos vendo vem sendo um movimento técnico, especulativo entre os fundos + especuladores – e o comprador final no destino não consegue repassar e/ou encontrar compradores finais dispostos a pagar um preço tão “caro” no vencimento set-26, nas posições “spot”. Principalmente com o próximo vencimento dez-26 chegando a negociar com um desconto de até 26-30 US$/saca.

Mesmo com o atraso na colheita do café arábica no Brasil e com a colheita do café conilon praticamente encerrada o Brasil em breve voltará a ter disponibilidade para exportar 4 / 4,50 milhões de sacas pelo menos durante os próximos 5 meses (agosto-dez-26).

As exportações no mês de julho-26 começaram boas – com base nos dados da Cecafé* o Brasil deverá exportar entre 3-3,4 milhões de sacas (julho-25 o Brasil exportou 2,75 milhões de sacas e julho-24 o Brasil exportou 3,75 milhões de sacas). Lembrando que em out-24 o Brasil teve sua exportação recorde em 5,2 milhões de sacas.

O mercado continua recebendo informações dispares – onde alguns armazéns reportam estarem recebendo quantidade entre +10/+20% acima do mesmo período do ano passado enquanto outros reportam o oposto. Porém o consenso com relação a qualidade é o mesmo: no café arábica confirmada a redução no recebimento café peneira 17/18 e recebimento de muito café miúdo, peneiras 16/17, 15/16; e no café conilon, por enquanto, noticias em linha com o esperado: boa qualidade nos cafés e fluxo de recebimento dentro do esperado.

Com as chuvas recentes muito café arábica ficou no chão, pelo caminho, e algumas casas já estão começando a revisar as projeções para a safra brasileira 26/27. Por enquanto vamos seguir trabalhando com uma safra total entre 68-70 milhões de sacas x melhores estimativas que chegaram a indicar uma safra entre 75-77 milhões de sacas.

Mesmo com 70 milhões de sacas (lembrando que o USDA* estimou a safra brasileira em 71,90 milhões de sacas e um estoque de passagem em 10 milhões de sacas) o mundo ainda terá um superavit na safra atual em +/- 8 milhões de sacas.

O grande problema continuará sendo uma redução nas peneiras altas, na “bebida” de boa qualidade. Porém essa safra brasileira será suficiente para abastecer a demanda mundial durante os próximos 6-12 meses.

Dentro de 3 meses já teremos concorrência das outras origens (América Central e Vietnam / Indonésia), então não vejo risco de desabastecimento durante os próximos 6-12 meses – salvo se algum evento climático severo atingir ainda a safra do Vietnam e Indonésia. Caso contrário, com o encerramento da colheita brasileira agora no mês de agosto e aumento na disponibilidade para maior oferta, continuo com minha visão que o mercado, no curto prazo, deverá corrigir buscando novamente os 280/260 centavos de dólar por libra-peso no vencimento dez-26.

Londres continua pressionado pois a expectativa, por enquanto, é para o conilon sofrer concorrência do café arábica tipo rio. O Brasil voltou a exportar uma boa quantidade de conilon já agora no mês de julho-26, podendo chegar próximo do 1 milhão de sacas! Na safra anterior (julho-25/junho-26) o Brasil exportou 4,87 milhões de sacas de café conilon.

Para o ano safra atual (julho-26/junho-27) minha expectativa é para uma exportação brasileira entre 48-52 milhões de sacas x 38,36 milhões de sacas na safra anterior (julho-25/junho26)! Eventual problema será o gargalo logístico que vem sendo enfrentado nos terminais marítimos brasileiros.

O café arábica tipo rio chegou a negociar ao redor dos 1.300/1.350 r$/saca no spot e o conilon continua brigando para não perder o patamar dos 1.000 R$/saca.

Café arábica peneira 17/18 e “cereja descascado” continuam valendo prêmio no mercado spot – chegando a negociar ainda acima dos 1.800 – 2.000 R$/saca. Porém, café peneira 16/17 e “outros” continuam negociando entre 1.650 – 1.300 R$/saca.

A colheita avançou em boa parte do país, com a colheita do café conilon praticamente finalizada! E arábica entre 70-80%.

A dúvida no mercado continua sendo qual o tamanho da safra brasileira atual (66-75 milhões de sacas) e qual será a disponibilidade dos cafés peneiras altas e “bebida boa”. Como mencionado, vamos ver um mercado pagando prêmio, ágio para cafés peneira 17/18 e descontos agressivos para cafés com peneira menor e qualidade bebida inferiores. Produtor aproveite as oportunidades para fazer suas “ligas” e procurar um preço “médio” melhor para sua produção – mesmo “sacrificando” preço para “algumas sacas com café com boa qualidade” mas com isso podendo recuperar bons R$/saca na média final da sua produção.

No curto prazo o próximo vencimento dez-26 encontra suportes  @ 292 e 270 centavos de dólar por libra-peso. E resistências nos 336 centavos de dólar por libra-peso.

Produtor: faça suas contas e proteja-se!

Preços para set-27 e set-28 acima dos 1.800 R$/saca para o café arábica e acima dos 1.200 R$/saca para o café conilon (preços acima dos 300 US$/saca para o café arábica e acima dos 200 US$/saca para o café conilon) continuam sendo preços que remuneram o produtor no médio-longo prazo.

Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge! Tendo interesse entre em contato conosco.

Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)

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