Condições das lavouras e influência do fenômeno climático El Niño já trazem atenção para a próxima safra.
A colheita do café chegou a 58,3% na área de influência da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Os dados foram compilados até o dia 24 de julho. O Sul de Minas, com 64%, é a região com maior avanço, seguido por São Paulo (63%), Matas de Minas (50%) e Cerrado Mineiro (50%).
O levantamento da cooperativa mostra um ritmo mais lento do trabalho de campo em 2026. Nesta época do ano, em 2025, o trabalho de campo chegou a 67,1% dos cafezais. O atraso é consequência, principalmente, das chuvas na região.
“A colheita está abaixo de anos anteriores. Não temos uma supersafra, mas uma safra boa. A maturação dos grãos foi desuniforme, por conta das quatro floradas que ocorreram”, explicou o coordenador de Geoprocessamento da Cooxupé, Guilherme Vinicius Teixeira.
Nesta quarta-feira (29/7), a cooperativa realizou o 8º Fórum Café e Clima, com palestra sobre o atual cenário climático e seus riscos para a produção cafeeira. Teixeira apresentou informações sobre o comportamento do clima mês a mês durante todo o ciclo que, atualmente, está em colheita.
Ele disse que a fase vegetativa das plantas, no geral, teve um desempenho dentro da média. Na etapa reprodutiva, condições climáticas mais irregulares levaram a múltiplas floradas. A etapa de frutificação e de maturação dos grãos, ele também classificou como dentro da média para a região.
“A safra é de peneira dentro da média e rendimento dentro da média. Não é o melhor nem o pior. Lavouras que estavam mais bem manejadas tiveram melhores condições”, disse, pontuando que houve queda de folhas e de frutos, com perdas no campo.
Teixeira destacou também que, de um modo geral, a safra de café não região da cooperativa não teve problemas de déficit hídrico. No entanto, a chuva que está atrasando a colheita atual está gerando consequência no manejo pós-colheita, com riscos à qualidade do café beneficiado.
“Como está chovendo e está úmido, o café vai para o secador em temperatura mais alta e aparecem os defeitos de secagem. Tem café chegando com umidade elevada no recebimento. Esse é o cenário com que devemos ter cuidado”, disse.
Ele ressaltou ainda que o trabalho de pós-colheita neste ano será um dos principais indutores de um bom resultado para a colheita de 2027. Como a colheita está mais lenta, os cafezais estão com sobreposição de fases: plantas entram em pré-florada e até em florada enquanto ainda há frutos no pé.
“O desenvolvimento vegetativo está um pouco melhor, mas estamos entrando em um El Niño. Baixo estresse hídrico e múltiplas floradas são possíveis. É preciso atenção com o controle fitossanitário, queda de folhas e pré-floradas”, alertou (Globo Rural)



