Café: Saíram os últimos números do USDA

Por Marcelo Fraga Moreira

Mais uma semana volátil com o set-26 trabalhando com uma amplitude de 3.000 pontos. Após atingir a máxima da semana @ 335,40 centavos de dólar por libra-peso na terça-feira o mercado voltou a realizar até a mínima da semana @ 306,40 centavos de dólar por libra-peso e encerrou @ 313,80 centavos de dólar por libra-peso. O R$ voltou a valorizar (mesmo com todos os problemas fiscais internos) e, após negociar na mínima da semana @ 5,05 R$/US$, encerrou o spot @ 5,08 R$/US$.

A colheita avançou em boa parte do país, com alguns consultores já indicando o final da colheita do café conilon. Por enquanto a colheita do arábica segue estimada entre 60%-70% e do conilon entre 90-100%.

O problema reportado no café arábica continua sendo com relação a quebra na qualidade e não em produtividade. Os armazéns alegam estar recebendo pouco café com peneira 17/18 acima e muito café padrão “moka / grinders / rio”.

Mercado interno segue firme para café arábica peneira 17/18 e “cereja descascado” chegando a negociar ainda acima dos 1.800 – 1.900 R$/saca! Quem precisa honrar compromissos no curto prazo e necessita honrar seus contratos base a qualidade vendida estão pagando o preço necessário.

Conforme comentários anteriores, café peneira 17/18 e cereja descascado daqui para a frente irão valer prêmio. As chuvas vieram, derrubaram muitos frutos, e a qualidade dos grãos e da bebida para esta safra 26/27 foi prejudicada. Em qual proporção? Ainda muito cedo para sabermos.

Café arábica spot “normal”, peneira 16/17 segue negociando nos 1.650 R$/saca e café conilon entre 1.050/1.100 R$/saca.

O atraso na colheita continua refletindo nos preços e na disponibilidade do produto refletindo diretamente nas cotações em NY. Nessa semana o spread Set-26 x Dez-26 voltou a abrir e encerrou @ 1.575 pontos. Infelizmente os compradores estão evitando originar café utilizando a cotação da tela de set-26 e estão forçando o produtor a vender com base no vencimento dez-26.

Ora, esse spread de tela representa nada menos do que 20,80 US$/saca x 5,08 R$/saca = 105,84 R$/saca. Produtor: atenção e “aperte” o seu comprador. Não faz sentido nesse momento o mercado comprador já começar a precificar seu produto contra o vencimento dez-26.

O grande destaque da semana foi a divulgação do último relatório do USDA. Basicamente o USDA continua estimando uma safra mundial recorde (189,7 milhões de sacas); um consumo também recorde em 179,70 milhões de sacas e um superavit nesse em +10 milhões de sacas. Com essa superavit o estoque de passagem para a safra 27/28 aumentou para 26.3 milhões de sacas – colocando o índice “estoque x consumo mundial” novamente próximo dos 15%.

Para Brasil o USDA continua projetando uma safra 26/27 em 71,90 milhões de sacas e para o Vietnam em +32,50 milhões de sacas! E “outras origens” em +85,30 milhões de sacas.

Ou seja, durante os próximos 12 meses o mundo terá acesso a café de alta, média e baixa qualidade suficientes para atender a demanda.

O mercado já começou a olhar para a próxima safra brasileira 27/28… Ainda também muito cedo para estimar uma quebra significativa com as chuvas recentes e com as chuvas durante esse final de semana.

Já começaram as “especulações e chutes” que a chuva desse final de semana irá induzir a antecipação da florada no café arábica. Por outro lado, as chuvas irão beneficiar as floradas agora do café conilon. Então, elas por elas, por enquanto a próxima safra 27/28 deverá vir maior ou igual a safra atual.

Se o Brasil produzir na próxima safra 27/28 >= 70 milhões de sacas e os demais países tiverem um crescimento entre 2-3%, e o consumo mundial aumentar para 183 milhões de sacas, então o estoque de passagem mundial deverá ultrapassar os 35 milhões de sacas e o índice “estoque x consumo mundial” voltar a tocar os 20%.

Então, não tem como ficar altista para o médio prazo. Pelo contrário, minha analise continua a mesma. Vamos ter um mercado pagando prêmio para um café de qualidade e penalizando o produtor pelo café com peneira baixa e “bebida ruim”.

O mercado voltou a questionar a redução nos estoques certificados em NY. Porém, vale notar que o estoque certificado – a entrega do produto na bolsa – só acontece como último recurso, como o “pior preço” para o produtor, para a trading.

Ou seja, a queda nos estoques certificados não indica falta de café, mas sim que o “mercado”, o “destino” está pagando um preço melhor para a trading, para o produtor que não justifica mandar café para ser certificado, para ser entregue na bolsa.

No mês de julho-26 as exportações brasileiras voltaram aos patamares históricos devendo ultrapassar as 3.00 milhões de sacas. Em julho-25 o Brasil exportou apenas 2,75 milhões de sacas e em julho-24 o Brasil exportou 3,77 milhões de sacas. Vamos acompanhar os dados finais (deverão ser publicados até próximo dia 10-12 de agosto pela Cecafé*) e como deverá ser os embarques em agosto-26.

Com a implementação da EUDR (as novas regras para o Brasil poder exportar para a comunidade europeia a partir de jan-27) creio que teremos uma nova aceleração nos embarques durante o próximo período 15-out-15 de dezembro-26. Já existe relato da falta de contêiners, de aumento nos preços e creio que em breve veremos as tradings voltando a disputar contêiners e espaço nos navios. Atenção pois poderá ser mais uma janela de oportunidades para um eventual rallie nos prêmios / spreads.

Vamos ver como o mercado irá abrir na próxima segunda-feira. Tivemos relatos de novas chuvas agora no final da safra do café arábica causando novas perdas. Porém, vale notar que já temos entre 60-70% já colhidos – então, eventual prejuízo deverá ser “marginal”.

No curto prazo o vencimento set-26 continua com suporte importante nos 300,70 centavos de dólar por libra-peso e em seguida nos 282 e 253 centavos de dólar por libra-peso. Resistências nos 335 e 344 centavos de dólar por libra-peso.

O vencimento dez-26 encontra suporte @ 292 centavos de dólar por libra-peso (chegou a ser testado na sexta-feira) e em seguida apenas nos 271 centavos de dólar por libra-peso! E resistência nos 306 e 326 centavos de dólar por libra-peso.

Produtor: faça suas contas e proteja-se!

Preços para set-27 e set-28 acima dos 1.800 R$/saca para o café arábica e acima dos 1.200 R$/saca para o café conilon (preços acima dos 300 US$/saca para o café arábica e acima dos 200 US$/saca para o café conilon) continuam sendo preços que remuneram o produtor no médio-longo prazo.

Como diz o sábio Arnaldo Corrêa: “Para quem trabalha com gestão de risco, pouca coisa mudou. Continua sendo recomendável aproveitar os momentos de recuperação para avançar gradualmente nas fixações, preservando flexibilidade através de estruturas com opções. Gestão de risco não consiste em descobrir o topo ou o fundo do mercado. Consiste em proteger margens, preservar fluxo de caixa e garantir que uma decisão errada de mercado nunca coloque em risco anos de trabalho”.

Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge. Tendo interesse entre em contato conosco.

Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)

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