Tensões no Oriente Médio e enfraquecimento de negociações afetam a oferta global em momento de recomposição de estoques.
O mercado internacional de ureia, principal fertilizante nitrogenado, voltou a subir em função de uma retomada da demanda e ao aumento das incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.
Após atingir cerca de US$ 350 por tonelada no início de julho, a commodity acumula valorização nas últimas semanas, enquanto compradores brasileiros iniciam a recomposição de estoques para a próxima safra.
A ureia chegou a superar US$ 700 por tonelada em abril, durante o período de maior tensão provocado pelo conflito no Oriente Médio. Na quinta-feira (17/7), o produto era negociado a US$ 421,50 por tonelada, segundo a consultoria Trading Economics, que acompanha contratos por diferença da commodity. O valor representa alta de 18,23% em relação ao mês anterior, embora ainda esteja 4,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
“Após um longo período de queda, provocado pelo recuo dos compradores diante dos preços elevados e da deterioração das relações de troca, as negociações voltaram a ganhar ritmo e as cotações já acumulam três semanas consecutivas de alta nos portos brasileiros”, disse o analista de inteligência de mercado da StoneX, Tomás Pernías.
Segundo o analista, o mercado voltou a ganhar ritmo com a retomada gradual da demanda e já registra três semanas consecutivas de alta nos portos brasileiros.
Pernías afirma que o cenário também reflete o aumento das preocupações com a oferta global. Entre os fatores estão o enfraquecimento das negociações entre Estados Unidos e Irã, novas ameaças de restrições aos portos iranianos e a redução do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte marítimo de petróleo e derivados.
Na avaliação do analista, essas incertezas ocorrem justamente no momento em que compradores brasileiros começam a recompor estoques para atender a próxima safra.
Apesar da recente valorização da ureia, Pernías destaca que as relações de troca entre milho e o fertilizante permanecem mais favoráveis ao produtor do que as observadas em abril, o que pode estimular novas compras caso o cenário geopolítico continue pressionando a oferta (Globo Rural)



