Indústrias ajustam escalas de abate e concedem férias coletivas para evitar tarifas adicionais nas exportações.
A ausência da China nas compras de carne bovina brasileira já começa a aparecer nas estatísticas de exportação de julho. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados até a terceira semana do mês, mostram uma redução no ritmo dos embarques, reflexo da estratégia adotada pelos frigoríficos para evitar que as exportações ultrapassem a cota da China destinada ao mercado brasileiro e, consequentemente, fiquem sujeitas à tarifa adicional de 55% aplicada aos embarques realizados fora do limite estabelecido.
O Brasil embarcou 140,3 mil toneladas de carne bovina em 23 dias úteis de julho. Considerando o ritmo atual dos embarques e os 23 dias úteis previstos para o mês, as exportações devem alcançar aproximadamente 248 mil toneladas, abaixo das 276,8 mil toneladas registradas em julho do ano passado. Isso representaria uma queda de 10,4% no volume exportado.
Na média diária, os embarques ficaram em 10,7 mil toneladas, uma queda de 10,3% em relação às 12,03 mil toneladas embarcadas por dia em julho de 2025.
No primeiro semestre, as indústrias frigoríficas acelerarem os embarques para aproveitar a cota de exportação destinada à China, estimada em 1,106 milhão de toneladas para 2026.
Agora com a cota preenchida, as indústrias vêm reduzindo o ritmo de produção, ajustando as escalas de abate e, em alguns casos, concedendo férias coletivas aos funcionários para evitar embarques que possam ser tarifados.
A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já estima uma redução de cerca de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026 na comparação com o ano anterior, principalmente por conta da ausência da demanda chinesa.
Apesar da queda no volume embarcado, o faturamento somou cerca de US$ 896,8 milhões até a terceira semana de julho, enquanto em todo o mês de julho de 2025 a receita havia alcançado US$ 1,54 bilhão.
Na média diária, o faturamento atingiu US$ 68,98 milhões, alta de 3,3% em relação aos US$ 66,80 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Já com relação ao preço médio da carne ficou próxima de US$ 6.387,70 por tonelada, avanço de 15,01% frente aos US$ 5.549,40 por tonelada registrados em julho de 2025.
No primeiro semestre, o Brasil registrou recorde nas exportações de carnes e subprodutos bovinos, com receita de US$ 9,93 bilhões, alta de 33,4% na comparação anual, enquanto os embarques somaram 1,81 milhão de toneladas, avanço de 7,3%.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira entre janeiro e junho, respondendo por 774,7 mil toneladas embarcadas, alta de 22,6%, e por US$ 4,82 bilhões em receita, crescimento de 50,3%. O mercado chinês representou 48,5% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras de carnes e subprodutos bovinos no período (CNN)




