Mesmo com fim da guerra, oferta de fertilizantes deve demorar a normalizar

Por Mauro Zafalon

·         Redução dos custos dos fretes e de seguros pode não vir tão rapidamente

·         Mercado de commodities inicia o dia em baixa, mas reverte tendência no fim do pregão

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, pelo menos no anúncio de Donald Trump, está chegando ao fim. Os produtos e insumos agrícolas, que tiveram forte aceleração a partir do final de fevereiro, início do conflito, começaram o dia em queda nesta segunda-feira (15/6).

A retração já vinha ocorrendo, depois dos números de oferta e de demanda divulgados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na semana passada. Ao fim do dia, no entanto, voltaram a subir.

O mercado espera agora uma melhora na oferta de insumos e queda nos preços, principalmente no dos fertilizantes.

A normalização da oferta mundial das commodities agrícolas pode ocorrer mais rapidamente, com custos menores no transporte e no seguro, mas a dos fertilizantes não deve acontecer no mesmo ritmo.

O fechamento do estreito de Hormuz afetou a entrega de matérias-primas básicas para a composição de fertilizantes em outros países, além de interromper o fornecimento do produto já pronto pelos países do Oriente Médio, grandes fornecedores mundiais.

A normalização do trânsito de navios pode ir mais devagar, e a redução dos custos dos fretes e de seguros pode não vir tão rapidamente, até que o setor de transporte tenha certeza de que o sistema volte a operar com segurança.

Donald Trump está desesperado pelo final da guerra, mas o comportamento de Israel ainda é incerto. O presidente americano, que iniciou o mandato dizendo que ia combater a taxa alta de inflação de Joe Biden, viu os preços de maio registrarem a maior alta dos últimos anos.

A pressa dele em terminar uma guerra na qual, provavelmente, se arrependeu de ter entrado, e para a qual pode ter sido levado por Israel, tem outros motivos.

Tarifas e guerra fizeram o apoio do presidente Trump recuar para 50% no meio rural, abaixo dos 60% de há um ano. A rejeição subiu para 48%, acima dos 34% do ano passado. Esse é um segmento da sociedade americana que costuma dar apoio ao presidente e aos republicanos.

A desestruturação do sistema rural no período de Trump, somada à queda mundial dos preços das commodities, levou o setor a um período de baixas margens de lucro e de alta incidência de insolvência.

No primeiro ano deste segundo mandato do governo Trump, as falências no setor rural aumentaram 46% no país e continuam em 2026. Os pedidos de abril, o dado mais recente, superam em 130% os de igual período do ano passado. Eles só são menores do que os de 2019 e 2020, durante o primeiro mandato de Trump.

O fim da guerra beneficia o produtor brasileiro, que ainda tem muito fertilizante para comprar para a safra de soja do segundo semestre. Mas o país sentiu o efeito desse conflito no Oriente Médio.

As importações de fertilizantes da região recuaram para 1 milhão de toneladas neste ano, 33% a menos do que nos cinco primeiros meses de 2025. Já as exportações brasileiras de carne para a região caíram 5%; as de cereais, 21%, e as de soja, 43%. O Irã, o principal país afetado pelo conflito, é um dos grandes participantes do mercado brasileiro do agronegócio.

No final do dia, o milho, que havia iniciado o pregão em queda na Bolsa de Chicago, se recuperou e fechou em alta. À exceção do açúcar, as demais commodities também fecharam em alta. Já a ureia, mantendo a tendência das últimas semanas, voltou a cair nos Estados Unidos (Folha)

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