- Medidas podem vir após investigações da Seção 301, que examina práticas comerciais
- Como ocorreu no 1º mandato de Trump, americanos perdem espaço de novo no exterior
A poderosa ASA (Associação Americana de Soja), que reúne produtores de 30 estados americanos, e o Ussec (Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos), que representa o setor no mercado internacional, estão preocupados com o andar das investigações da Seção 301, que examina práticas de comércio de países parceiros dos Estados Unidos.
O país, que já perdeu espaço no mercado internacional devido a tarifas no primeiro governo de Donald Trump, diz que novas restrições comerciais poderão dificultar ainda mais a participação do produto americano no mercado internacional e favorecer o do Brasil.
A produção de soja representa US$ 4 bilhões em salários e US$ 80 bilhões em impactos econômicos nos Estados Unidos, segundo estudos do setor. Incluída toda a cadeia, como biocombustíveis, fábricas de ração, portos, ferrovias etc., esse volume financeiro sobe para US$ 124 bilhões.
As medidas do USTR (Escritório de Representante de Comércio dos EUA) podem mexer com a relação comercial entre sojicultores e os principais países importadores do produto americano, causando ainda mais dificuldades para o setor. Apontando o quanto a imposição de tarifas pelo governo Trump tem dificultado o setor, a ASA mostrou os dados recentes de comércio entre americanos e chineses.
Na safra 2016/17, os americanos exportaram US$ 14,5 bilhões para os chineses, valor que caiu para US$ 4,7 bilhões no primeiro governo de Trump. Em 2022/23, os chineses gastaram US$ 18,7 bilhões com a compra dessa oleaginosa nos Estados Unidos, gastos que recuaram para US$ 9,9 bilhões na safra 2024/25.
As entidades recomendam que o USTR isente de futuras tarifas sob as investigações da Seção 301 países que assinaram acordos de comércio recíproco com os EUA. Com relação à China, mesmo após um acordo entre americanos e chineses, o país asiático mantém cobrança de 10% de tarifa na soja americana.
“Estamos preocupados que essas investigações adicionais da Seção 301 possam levar a medidas corretivas que atrasarão as negociações e levarão à reimposição de tarifas ainda mais altas contra a soja dos EUA pelo governo chinês”, afirma comunicado de ASA e Ussec. Enquanto as taxas permanecerem em vigor, os agricultores dos EUA não serão competitivos com Brasil e com a Argentina no principal mercado mundial, segundo as entidades.
Isso ocorre em um período de em que há forte aumento nos custos de insumos importados, como fertilizantes, agrotóxicos, sementes e equipamentos. Em média, os agricultores americanos importam US$ 33 bilhões desses insumos anualmente.
Os preços das commodities caíram 50% em média, desde 2022, e os custos continuam aumentando. Segundo a ASA, com custos elevados e preços em queda, os produtores de soja deverão ter uma perda líquida de US$ 289 (R$ 1.445) por hectare na safra deste ano. Essa distorção entre custos e preços elevou o número de falências agrícolas em 55% em 2024, em relação a 2023, e os EUA perderam 20 mil propriedades rurais nos últimos dois anos.
A ASA e a Ussec recomendam ao governo que isente os insumos agrícolas essenciais de futuras medidas corretivas a serem anunciadas na conclusão da investigação, bem como mantenha o acesso ao mercado dos EUA para produtos importados do Canadá e do México (Folha)







