Com mais de 90% de chance de evento “muito forte”, chuva no Sul e no Sudeste e seca no Norte e no Nordeste pressionam a sanidade dos rebanhos
O Brasil entra na reta final de 2026 sob um El Niño que ganha intensidade e já divide o país entre o excesso de chuva e a seca. A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) estima em mais de 90% a probabilidade de um evento “muito forte” nos próximos meses. Para a pecuária, o cenário coloca a sanidade animal no centro das atenções.
Essa instabilidade prolongada altera a dinâmica de manejo nas criações. Enquanto o excesso de chuva e lama favorece a proliferação de patógenos, os períodos de seca reduzem a oferta nutricional e afetam o sistema imunológico do gado. Com isso, a biossegurança passa a ser a principal barreira de defesa para evitar surtos infecciosos capazes de interditar fazendas e comprometer o fluxo de abastecimento de toda a cadeia de carne e leite.
“O clima interfere diretamente na capacidade de controlar riscos sanitários. Quando o ambiente favorece a sobrevivência e a disseminação de patógenos, qualquer falha operacional tem consequências muito maiores. Em momentos como esse, a prevenção passa a ser uma estratégia de continuidade do negócio”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.
Os desafios variam conforme a região. No Sul e no Sudeste, o excesso de chuvas deixa água parada em currais, corredores e áreas de manejo, dificultando a limpeza e prolongando a sobrevivência de vírus, bactérias e fungos nas superfícies. Essa umidade persistente favorece o surgimento de doenças respiratórias e problemas de casco, principalmente em confinamentos.
No Norte e no Nordeste, a seca prolongada reduz a oferta de pasto e eleva o estresse térmico e nutricional do rebanho. Sob pressão, os animais perdem imunidade e ficam expostos a infecções oportunistas, o que derruba o desempenho produtivo. A busca por água intensifica a movimentação entre propriedades, elevando o risco de contaminação cruzada entre plantéis.
Fora das fazendas, a logística surge como outro ponto crítico. Caminhões que circulam entre propriedades, leilões e frigoríficos tornam-se vetores de agentes infecciosos se não passarem por uma descontaminação rigorosa, tarefa dificultada pelo acúmulo de barro e matéria orgânica em dias chuvosos.
Ao aplicar calor controlado para secar e desinfetar veículos de transporte em minutos, reduz-se o risco de o patógeno migrar de uma propriedade para outra sem a necessidade de reter a frota por longos períodos.
“A diferença, nesses meses, está na velocidade. Quanto mais rápido o caminhão volta limpo para a estrada, menor a janela para o agente infeccioso circular. Quando o protocolo não depende de execução manual a cada viagem, ele ganha previsibilidade, e é isso que sustenta a confiança de quem compra”, avalia Dias.
Diante de fenômenos extremos cada vez mais frequentes, o ajuste dos protocolos sanitários passou a ocupar o planejamento estratégico do setor. O investimento em biossegurança protege o rebanho, evita perdas financeiras e preserva a credibilidade do produtor junto a um mercado comprador exigente com a rastreabilidade e a segurança alimentar.





