StoneX vê alta do açúcar como exagerada e mercado mais baixista em 2027

StoneX prevê produção recorde de etanol e recuperação da demanda em 2027/28.

Após um cenário de baixa em 2025, os preços do açúcar ficaram próximos de 14 a 15 centavos de dólar por libra-peso na maior parte de 2026, mas subiram nos últimos meses e ultrapassaram 20 centavos. Segundo Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, a alta foi impulsionada principalmente pela volta dos fundos especulativos às posições compradas.

Para o analista, que participou do 9º Seminário StoneX, nesta quinta-feira (8/10), os preços atuais apresentam certo exagero, embora reflitam a antecipação de expectativas pelo mercado financeiro. No Brasil, a StoneX estima o custo de produção no Centro-Sul entre R$ 1.900 e R$ 2.000 por tonelada, enquanto o contrato para março chegou a cerca de R$ 2.400 por tonelada, estimulando a fixação antecipada da produção da safra 2027/28.

Para o próximo ciclo, a StoneX projeta uma safra de cana de cerca de 660 milhões de toneladas no Centro-Sul. Com a entrada de maior volume de açúcar brasileiro no segundo semestre de 2027, a consultoria espera um mercado mais baixista. “Neste momento a gente acredita que o segundo semestre de 2027 deve ser um mercado mais baixista”, afirmou Di Bonifácio.

Etanol

O mercado de etanol hidratado começou a recuperar preços após atingir um piso próximo de R$ 2,05 por litro no Centro-Sul. Segundo Letícia Corrêa, da StoneX, a recuperação foi favorecida pela alta do açúcar e pela redução do ritmo de moagem provocada pelas chuvas, enquanto os estoques ainda limitam uma valorização mais forte.

“Tivemos um ano desafiador em questão de preços para etanol e agora temos visto uma recuperação recente, com a última referência do mês de setembro em R$ 2,56 para o hidratado, relacionada à recuperação dos preços do açúcar e ao aumento das chuvas que diminuíram a moagem”, explicou Letícia, durante o 9º Seminário StoneX.

Para a safra 2027/28, a consultoria projeta produção recorde de cerca de 40 bilhões de litros de etanol no Centro-Sul, impulsionada principalmente pelo avanço do etanol de milho. A produção a partir do milho deve crescer quase 30%, enquanto a de etanol de cana tende a ficar estável ou recuar levemente.

Para a safra 2027/28, a StoneX projeta preços do etanol abaixo dos níveis observados em 2025/26, embora em um cenário menos pressionado do que o da safra atual. Ao mesmo tempo, a consultoria projeta recuperação da demanda, favorecida pela competitividade do combustível nas bombas e pela mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (Globo Rural)



Preços do etanol e do açúcar subiram em setembro com chuvas prejudicando colheita da cana

No caso do biocombustível, a forte valorização do petróleo reforçou o movimento de alta.

Os preços do etanol e do açúcar subiram em setembro no mercado brasileiro. O atraso na colheita de cana-de-açúcar, devido às intensas chuvas que ocorreram nas regiões produtoras do Centro-Sul, reduziram a oferta dos produtos, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Além disso, no caso do biocombustível, a forte valorização do petróleo, que eleva a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, reforçou o movimento de alta.

De acordo com o Cepea, o cenário não deve melhorar no curto prazo, tendo em vista que chuvas neste início de outubro podem voltar a paralisar a colheita. Consultorias apontam que uma parcela significativa da cana pode ficar para ser moída na próxima safra e que a moagem pode se estender até o fim de fevereiro ou início de março.

Pesquisadores do Cepea destacam que, mesmo com o adoçante pagando mais que o etanol, a cana colhida com excesso de umidade rende menos açúcar e favorece a produção do biocombustível, o que tem levado as usinas a reduzir o mix açucareiro. Nesse quadro, a oferta de açúcar no mercado interno deve seguir restrita nas próximas semanas.

Segundo o indicador Cepea/Esalq, o preço médio mensal do açúcar em setembro no mercado paulista foi de R$ 118,98 a saca de 50 quilos, uma alta de 17,68% em relação à cotação de agosto. Em outubro, as cotações seguem avançando. Na segunda-feira (5/10), o indicador registrou o valor de R$ 122,78 a saca, aumento de 1,37% nos três primeiros dias úteis do mês. (Globo Ruaral)

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