Líder da FPA diz que único caminho é o agro entrar na campanha de Flávio

Pedro Lupion afirmou que bancada vai iniciar uma caravana em seis Estados para mobilização do setor produtivo em favor do candidato do PL.

Após um primeiro turno no qual o agronegócio manteve a cautela quanto ao posicionamento nas eleições presidenciais, a tendência é que o setor embarque na candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR).

“A cautela no primeiro turno foi um pouco da história do gato escaldado, que foi extremamente perseguido nos últimos quatro anos, e as entidades tomaram muito cuidado em relação a isso. Foi provada a necessidade da alternância de poder. O recado das urnas foi muito claro, então, não vejo outro caminho senão todo mundo entrar de cabeça nessa campanha”, disse Lupion, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.

Além do agronegócio, Lupion citou o setor produtivo como um todo, como comércio, indústria, serviços e transportes. A bancada vai iniciar na próxima semana uma caravana em seis Estados para mobilização do setor produtivo com eventos com representantes estaduais, segundo Lupion.

A FPA declarou apoio a Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno e formalizou apoio oficialmente nesta terça-feira, 6, ao candidato em encontro da bancada com o senador carioca. Lupion atribuiu a adesão à polarização já registrada no primeiro turno, à conjuntura adversa que o setor enfrenta e à situação econômica do País.

“Temos enfrentado nos últimos quatro anos um governo que tem trabalhado diuturnamente contra o setor em todas as áreas, não apenas com uma questão de política agrícola muito falha e muito equivocada, mas também com resoluções, instruções normativas, decisões do governo, constantes contra o setor e ficamos durante quatro anos enfrentando todos os dias alguma batalha nova”, justificou.

Entre os temas, Lupion criticou aumento de impostos, dificuldade de acesso ao crédito, cortes no orçamento do seguro rural, redução do crédito subsidiado no Plano Safra, burocracia nas medidas de repactuação das dívidas. Para Lupion, o “governo falta respeito com o produtor rural”. “A fala do presidente de que o produtor rural tem que estar de joelhos a ele é completamente absurda, em que ele tenta impor uma condição de grande parceiro do agro, quando ele colocou o produtor de joelho por causa da sua incompetência econômica do atual governo”, criticou.

“Precisamos garantir o futuro da produção agropecuária do Brasil, e, para isso, a gente precisa mudar o Presidente da República e o governo”, argumentou o líder da bancada.

Lupion não teme risco de isolamento do Executivo caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venha a ser reeleito. “Já fizemos oposição no governo inteiro. Enfrentamos o governo todos os dias”, afirmou, citando a tentativa de taxação do IOF, tentativa de tributação de títulos agrícolas e questões fundiárias, bem como embargos ambientais.

Em relação à política externa, a qual exportadores afirmam ter receio a eventuais medidas de um possível governo Flávio Bolsonaro, Lupion afirma ver um perfil mais negociador no senador carioca que o adotado no governo do pai.

“Temos uma preocupação muito grande em relação aos mercados internacionais. A política externa do governo Lula tem sido muito falha nesse sentido, perdemos uma negociação grande com a China, na carne bovina, precisamos enfrentar as questões da União Europeia e ter uma nova maneira de negociação com os Estados Unidos”, criticou. “Seja com a União Europeia, seja com a China, seja com os Estados Unidos, seja com o Oriente Médio, precisamos colocar o Brasil na mesa de volta e ser respeitado internacionalmente.”

De acordo com Lupion, caso eleito, Flávio Bolsonaro deverá retomar a estrutura do Ministério da Agricultura vigente no governo de Jair Bolsonaro, quando as atribuições da pasta contemplavam agricultura familiar e desenvolvimento agrário. “Não existem dois sistemas agropecuários no Brasil, não existem duas agriculturas no Brasil, não existem dois tipos de agricultores no Brasil. Vamos fazer o Mapa virar Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e fortalecer”, defendeu Lupion.

Apesar da sinalização de Flávio Bolsonaro de que, caso eleito, a indicação ao potencial ministro da Agricultura será feita pela FPA, Lupion afirma que o tema é “assunto para depois da eleição”, quando a bancada tende a apresentar nomes e possibilidades para eventual governo.

No Congresso, a FPA saiu fortalecida das eleições com dois em cada três parlamentares reeleitos. A expectativa da bancada, segundo Lupion, é ter 330 deputados membros e cerca de 50 senadores a partir da próxima legislatura. Para o fim deste ano legislativo, a prioridade da bancada é articular ajustes na Medida Provisória da repactuação das dívidas rurais.

Para 2027, Lupion enxerga que a Reforma do Judiciário tende a ser uma das principais pautas do Congresso Nacional, refletindo a reação das urnas. “Acho que é um caminho sem volta. O grande tema das eleições foi o enfrentamento a esse ativismo judicial, à usurpação de competência e o enfrentamento à ingerência do Supremo Tribunal Federal em absolutamente tudo”, disse.

Lupion reconheceu também que há conversas entre os parlamentares sobre o futuro do comando da Câmara dos Deputados e do Senado em meio ao fortalecimento da centro-direita nas eleições deste domingo, 4, que deve afetar a composição das casas. “Quem firmar os compromissos e cumprir os compromissos com a frente terá o nosso apoio”, observou.

Sobre a sucessão da própria bancada, a qual deixa de presidir em fevereiro de 2027, o presidente disse que, em segundo momento, a frente buscará uma chapa de consenso a fim de obter uma “sucessão tranquila”. O deputado federal Zé Vitor (PL-MG) é um dos principais cotados (Estadão)


Flávio aciona TSE contra campanha do medo com fake news em massa pró-Lula

Por Caio Junqueira

Multa pode ser de R$ 50 mil por publicação caso a Justiça decida a favor; ação pede ainda cassação da chapa de Lula e Alckmin.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou na noite desta quinta-feira (8) uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o presidente Lula (PT).

.A ação detalha a atuação de uma rede organizada de perfis do Instagram ligada à reeleição do petista de espalhar fake news para produzir o que a equipe do presidenciável do PL classifica como uma “campanha do medo”.

As publicações falam, por exemplo, que Flávio Bolsonaro iria privatizar o SUS (Sistema Único de Saúde), acabar com o Bolsa Família, extinguir o 13º, fazer cortes no programa Farmácia Popular, congelar aposentadorias, dar um golpe de Estado e implementar uma ditadura, impor uma jornada de trabalho de 16 horas por dia e uma escala de “7×0” e que a interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira é um fato consumado.

A petição de 196 páginas foi dirigida à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e pede, em caráter liminar a suspensão de 32 perfis apontados como “núcleos de produção de desinformação”.

“Esta ação não trata de uma publicação infeliz, de uma crítica áspera ou de um exagero próprio do embate eleitoral. Trata de uma engrenagem”, afirma a petição.

A ação também pede:

  • a remoção de 221 publicações em 24 horas;
  • ⁠o bloqueio das collabs entre 48 perfis apontados como os principais da rede;
  • ⁠⁠uma ordem para que a campanha de Lula e os perfis ligados a ela não distribuam as postagens;
  • ⁠a quebra de sigilo dos responsáveis por perfis anônimos;
  • ⁠multa de R$ 100 mil por hora às plataformas e de R$ 50 mil por post a quem descumprir as ordens.
  •  

O centro da acusação é a “collab”, ferramenta do Instagram que permite que até seis perfis assinem a mesma publicação. Com ela, o post aparece na página de todos os coautores, soma as audiências e ganha mais impulso do algoritmo.

A defesa de Flávio diz que a ferramenta é lícita, mas afirma que ela vem sendo usada como “multiplicador industrial de conteúdo falso ou gravemente descontextualizado”.

Os advogados dizem ter coletado 2.856 publicações de 146 perfis entre a 0h de 5 de outubro e 14h28 de 7 de outubro e acusam a existência de 46 perfis de grande alcance da militância digital pró-Lula e ainda acrescentaram os 100 perfis que mais aparecem com eles em collabs.

O resultado é o que a ação chama de “núcleo de desinformação” com 218 publicações, das quais 24 foram classificadas como falsas e 194 como “descontextualizadas sem confirmação”.

As publicações teriam sido criadas por 123 perfis e somaram 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em cerca de 62 horas. Segundo a petição, 80% delas foram feitas em collab.

Procurada pela CNN, a campanha de Lula informou que não foi notificada da ação. “Não fomos notificados e não temos ciência dessa ação, por isso não temos como responder”, afirmou a campanha (CNN)


Pesquisas mostram inércia favorável a Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio joga parada, como se diz, pois sendo ele no momento o claro favorito, é ele também quem tem mais a perder com eventuais erros beneficiando o adversário

Até aqui o segundo turno das eleições segue exatamente as previsões. Duas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira (8), indicam uma vantagem a favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um pouco maior do que a diferença que registrou sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas do primeiro turno.

Era o que se aguardava. Flávio recebeu o apoio de mais partidos de centro e de mais um dos derrotados à eleição presidencial.

Era também o que se esperava.

Depois de muitas discussões internas, a campanha do PT resolveu adotar a fórmula da destruição do adversário. A campanha negativa, anunciando que o candidato da oposição a Lula vai meter a tesoura em programas sociais.

Era exatamente o que se esperava também.

O que mais se espera?

Que as dificuldades de Lula para conseguir uma virada continuem basicamente as mesmas. Ou seja, diminuir a taxa de abstenção, que costuma ser até mais alta num segundo turno com muitas eleições estaduais já decididas, e conquistar a fatia maior dos votos de derrotados, cujo perfil era claramente de centro direita.

A campanha de Flávio joga parada, como se diz, pois sendo ele no momento o claro favorito, é ele também quem tem mais a perder com eventuais erros beneficiando o adversário. A pergunta é saber o que vai funcionar em que medida.

A inércia, digamos assim, das eleições sugere que Flávio tem grande probabilidades de manter sua vantagem inalterada nos próximos 15 dias, quando ocorre a votação de segundo turno.

A aposta do PT na campanha negativa tem fundamento histórico, mas é de alto risco – pelo que se chama de efeito bumerangue.

Não se pode dizer que a eleição está decidida, ela continua competitiva. Mas continuando esse script, o tempo corre contra Lula (CNN)

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