Preocupação com El Niño faz café registrar alta de 16% em Nova York

Açúcar, algodão e cacau também tiveram ganhos, enquanto o suco de laranja recuou.

O café arábica disparou nesta segunda-feira (6/7) na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega para setembro subiram 16,19%, para US$ 3,4995 a libra-peso, o maior avanço diário desde julho de 2000, quando o salto foi de 17,8% em uma sessão. Com o aumento, o preço da commodity alcançou o patamar mais elevado desde 8 de janeiro de 2026, de acordo com o Valor Data. O mercado operou o dia todo no campo positivo, em meio a preocupações sobre o impacto do fenômeno climático El Niño para a safra brasileira.

“O café foi visto como um ativo de oportunidade, porque o El Niño está vindo forte e aquela disponibilidade que o mercado achou que teria de imediato por causa de projeções otimistas da safra brasileira não está se concretizando na prática”, disse Antônio Pancieri Neto, corretor da Painel do café, em análise.

Além disso, o excesso de chuvas em Minas Gerais afetou o andamento da colheita, colocando também dúvidas sobre a qualidade do café que está sendo colhido. “Juntamos a isso temores sobre os efeitos do El Niño forte e estoques da ICE pressionados”, afirmou Geraldo Isoldi, analista da corretora Terra Investimentos.

Segundo o especialista, este cenário causou uma inversão na posição dos fundos em Nova York, que estavam vendidos e viraram para comprados. “Essa volatilidade e inversão do mercado também acabam formando a tempestade perfeita para essa alta forte e estoques da ICE pressionados”, acrescentou.

Apesar dos temores relacionados ao El Niño, não há perspectiva de mais danos para os cafezais no curto prazo. Nesta época do ano, a cultura pode ficar mais suscetível a riscos de geadas nas regiões produtoras do Brasil.

De acordo com a Terra Investimentos, não há “indicativo de frio extremo ou danos às plantas nesta semana”. “O foco do mercado e do produtor continua sendo a evolução da colheita e a secagem dos grãos”, informou Isoldi, lembrando que, até o momento, as expectativas para a produção ainda seguem bem altas.

A estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em maio, mostra que a produção brasileira de café pode alcançar 66,7 milhões de sacas em 2026. O número, se confirmado, representará um incremento de 18% em relação ao volume colhido na temporada passada, segundo a Conab. Também será o maior resultado já registrado na série histórica.

Cacau

O cacau disparou na bolsa de Nova York no primeiro pregão da semana, novamente com as atenções do mercado voltadas aos impactos do El Niño e seus fenômenos para a produção. Os contratos para setembro fecharam em alta de 13,07%, a US$ 5.694 a tonelada.

De acordo com análise do site Mercado do Cacau, os futuros reagiram aos possíveis efeitos do El Niño para a produção na Costa do Marfim, maior produtor global da amêndoa.

A publicação segue dizendo que as primeiras avaliações da temporada 2026/27 indicam que diversas regiões produtoras marfinenses apresentam quantidade de frutos abaixo do esperado para esta época do ano. Além disso, tanto a safra intermediária quanto o desenvolvimento inicial da safra principal estão atrasados em relação aos ciclos anteriores.

Diante desse contexto, analistas projetam que a produção do país fique entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de toneladas na temporada 2026/27, que se inicia em outubro. O volume, se confirmado, ficaria abaixo das 2,2 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26.

“Além dos prejuízos imediatos, o excesso de umidade aumenta o risco de proliferação de doenças fúngicas e pragas justamente durante as fases mais sensíveis de formação e maturação das vagens, elevando ainda mais as preocupações quanto ao potencial produtivo da próxima safra”, destaca o site especializado.

Açúcar

O preço futuro do açúcar subiu na bolsa de Nova York após duas baixas consecutivas. Os lotes do demerara para outubro avançaram 2,49%, a 15,22 centavos de dólar a libra-peso.

Algodão

Os preços futuros do algodão se valorizaram na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em dezembro, os mais negociados atualmente, fecharam em alta de 1,53%, a 78,30 centavos de dólar a libra-peso.

Suco de laranja

Os contratos de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) fecharam a sessão na bolsa de Nova York com preços em queda. Os lotes do produto para setembro recuaram 2,54%, a US$ 1,6675 a libra-peso (Globo Rural)

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