Associações que representam o agronegócio brasileiro discutiram com autoridades americanas, em Washington, a situação do comércio entre os países
Representantes do agronegócio brasileiro participaram da rodada de audiências públicas realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (6/7), em Washington, para discutir sobre a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O USTR tem até o dia 15 para tomar a sua decisão final com base na investigação da Seção 301.
As audiências tiveram um tom mais técnico e menos político, diferentemente do tom adotado na primeira rodada de audiências, em setembro de 2025, disse Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). “Foi muito mais tranquilo. É outro ambiente de discussão, resultado do trabalho de comunicação do setor privado. A gente vê que existe uma janela de oportunidade para abrir espaço na lista de exceção”, afirmou Matos.
O executivo disse que as perguntas foram mais voltadas à competitividade e à agregação de valor dos produtos brasileiros para a indústria dos Estados Unidos.
De modo geral, os representantes do agronegócio brasileiro defenderam que os produtores brasileiros têm preços competitivos e as tarifas adicionais vão inflacionar os preços dos produtos consumidos nos Estados Unidos, podendo gerar instabilidade na oferta.
No painel voltado ao café, o Cecafé, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos, defenderam manter a isenção da tarifa de 25% sobre os cafés verde, torrado e moído e estender o benefício ao café solúvel.
“Falamos sobre o impacto que vai ter para toda a cadeia que movimenta o café, como as bebidas prontas para beber (RTD), bebidas geladas e café solúvel, caso venha uma tarifa de 25% sobre o café solúvel, e reiterando o pedido de exclusão do produto. Foi uma defesa muito sólida”, disse José Luiz Pimenta Junior, que representou a Abics na audiência.
Outros setores
De acordo com representantes do agronegócio brasileiro, as críticas mais duras dos americanos foram feitas em relação ao setor de carnes e de etanol. Uma das acusações é de que o agronegócio brasileiro estaria avançando sobre áreas de desmatamento ilegal.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que foi representada por Fernanda Maciel Carneiro, rebateu que o desmatamento ilegal está concentrado em uma área isolada e não representa a agropecuária brasileira. A CNA apresentou dados indicando que o desmatamento na Amazônia Legal reduziu 56% entre 2011 e 2025.
No segmento de biocombustíveis, o governo americano acusa o Brasil de prejudicar o comércio de etanol com aplicação de tarifas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) alegou que a tarifa brasileira sobre o etanol importado segue a regra de Nação Mais Favorecida da OMC e que não se trata de uma retaliação aos Estados Unidos.
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, defendeu que o etanol americano perdeu espaço no Brasil por causa do câmbio, dos custos logísticos e da expansão acelerada da indústria de etanol de milho no mercado doméstico (Globo Rural)





