Preços caem no campo, e alimentos têm deflação em SP

  • Queda quadrissemanal é a primeira desde o início do ano, aponta Fipe
  • Produto industrializado cai, e tomate, após alta de 71% no ano, fica 10% mais barato neste mês

Os preços não se sustentam no campo, e a inflação dos alimentos tem a primeira queda semanal do ano no varejo. Na primeira quadrissemana de julho, todos os principais grupos de alimentos recuaram, com a taxa média registrando uma deflação de 0,4%, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

A taxa de inflação da Fipe mostra a evolução semanal dos preços, apresentando a média de quatro semanas em relação às quatro imediatamente anteriores. À medida que entra uma nova semana, é retirada a última da lista.

A queda de preços na inflação ocorre porque vários dos produtos que têm peso no índice estão desacelerando no campo. Alguns, como arroz e café, mantêm a tendência de queda que já vinham registrando havia várias semanas, após a forte aceleração do ano passado. Já a queda dos preços das carnes ocorre porque o setor deverá ter uma demanda externa menor nos próximos meses.

Os paulistanos gastam, em média, R$ 29,1 com alimentação de cada R$ 100 despendidos, e as pressões maiores no setor de alimentos vêm dos produtos industrializados. Nos últimos 30 dias, no entanto, esses produtos tiveram deflação de 0,51%. O café, após somar alta de 82% no acumulado de 12 meses em maio de 2025, vem com contínua desaceleração no varejo, devido à melhora de oferta no mercado externo.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a queda acumulada no campo neste ano é de 24% para o café arábica, enquanto o produto recuou 12% nos supermercados. Com a entrada de fundos de investimentos na compra de contratos futuros, os preços voltaram a subir neste início de julho.

O óleo de soja, outro item importante do grupo dos produtos industrializados, também vem desacelerando no varejo e acumula queda de 14% no ano, segundo a Fipe. Já pelos dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), o processamento de soja sobe para 63 milhões de toneladas neste ano, com oferta de 12,7 milhões de toneladas de óleo.

Outro produto que alivia o bolso do consumidor nesse setor é o açúcar. A queda acumulada de preço neste ano é de 17% nos supermercados e ocorre devido à melhora na oferta mundial. A queda dos preços externos se reflete nos internos.

No setor de alimentos básicos, o arroz continua em queda, embora com intensidade menor neste mês. A saca, que chegou a R$ 100 no Rio Grande do Sul no ano passado no campo, está em R$ 62 agora. Nos próximos meses, no entanto, o cereal entra no período de entressafra e poderá reagir.

Atualmente, o consumidor paga 14% a menos pelo arroz do que há um ano. Já o feijão, com oferta menor, subiu 6,1% nos últimos 30 dias e acumula elevação de 47% no ano.

Folha Mercado

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As carnes também dão alívio ao bolso do consumidor, reflexo da queda de preços no campo. A arroba de boi gordo, após atingir R$ 367 em abril, vem caindo e recuou para R$ 327 neste mês. A demanda externa deverá desacelerar, com a previsão de pressão menor de compras da China nas próximas semanas, devido ao preenchimento da cota isenta da tarifa de 55%. As carnes suína e de frango, com a melhor oferta interna, têm pressão menor de preço no campo e caem no varejo.

Há uma melhora, ainda, na oferta de produtos “in natura”, principalmente porque o tomate, após alta de 71% no acumulado do ano até junho, cai 10% na média quadrissemanal da primeira semana de julho (Folha)

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