Segue comentário sobre o mercado de fertilizantes de Tomás Pernías , analista de Inteligência de Mercado – StoneX
Potássio permanece menos exposto às tensões no mercado global
Em um ano repleto de incertezas no mercado global de fertilizantes, marcado por ataques recorrentes no Oriente Médio, pela redução do tráfego comercial no Estreito de Ormuz e pela indefinição quanto aos rumos da política externa norte-americana, um produto tem apresentado uma trajetória de preços relativamente protegida dos efeitos da guerra: o cloreto de potássio.
O produto foi o que menos sofreu com as turbulências nos preços e na oferta, em razão, sobretudo, da localização de alguns de seus principais fornecedores, como Rússia, Bielorrússia e Canadá. Juntos, esses países respondem por aproximadamente 75% das exportações mundiais de cloreto de potássio e estão distantes do epicentro do conflito entre os EUA e o Irã. Dessa forma, o comércio do fertilizante ficou menos exposto às dificuldades logísticas que afetam a navegação no Oriente Médio.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Canadá foi o principal fornecedor de KCl ao Brasil, com participação de 39% nas importações do produto. A Rússia, por sua vez, respondeu por 31% das compras brasileiras no período.
Atualmente, o cloreto de potássio é negociado a preços muito próximos dos registrados no início de 2026 e apenas 5% acima dos observados no mesmo período de 2025. Nesse contexto, as cotações não representam, neste momento, um obstáculo para os importadores.
Além disso, em contraste com o mercado de ureia, que vem apresentando tendência de alta nas últimas semanas, o segmento de potássio mostra sinais de fraqueza. As cotações do KCl nos portos brasileiros recuaram por nove semanas consecutivas e acumularam desvalorização de pouco menos de 10%.
Há, contudo, razões conhecidas para essa fraqueza das cotações. Os compradores brasileiros não têm demonstrado urgência nas aquisições, uma vez que o avanço do plantio da soja indica o encerramento da janela de importação vinculada à alta temporada de compras. O país, portanto, atravessa um período de desaceleração nas aquisições desse fertilizante. Além disso, até o momento, não há problemas de oferta que gerem preocupação significativa entre os agentes do mercado, fator que também contribui para o desaquecimento das negociações.
A fraqueza dos preços no mercado de potássicos é uma boa notícia para os agricultores brasileiros, especialmente para os produtores de milho que ainda precisam adquirir insumos para a próxima safrinha. Relações de troca favoráveis e preços estáveis facilitam o planejamento dessas compras.



