Especialistas apontam volatilidade histórica, revisões para baixo na produção do Centro-Sul brasileiro e desafios industriais com a cana no campo.
O mercado global de açúcar e commodities vive um momento de forte volatilidade e reconfiguração de cenários, impulsionado por fatores macroeconômicos e climáticos. A discussão fez parte da programação desta terça-feira, 27 de outubro, durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol.
Durante o painel “Fundamentos do Mercado Internacional de Açúcar”, moderado por Thiago Duarte, Associate Partner do BTG Pactual, e com a participação de lideranças do setor, representado por Jeremy Austin (Diretor Geral da Sucden Brasil), Mario de Rezende Barbosa (Diretor de Estratégia da LDC) e Paulo Garcia (CEO da Vital Commodities), foram debatidos os impactos do fenômeno El Niño, o comportamento especulativo dos fundos e os gargalos na produção do Centro-Sul do Brasil, além de quebras nas safras da Índia e da Europa.
O papel do El Niño e a virada histórica dos fundos
O mercado internacional registrou uma reviravolta histórica na posição dos fundos especulativos e em contratos em aberto, impulsionado por uma tempestade perfeita macroeconômica que envolveu o avanço do El Niño e conflitos geopolíticos. O moderador Thiago Duarte relata que aprendeu com Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, que nenhuma safra é igual à outra, todas têm suas características próprias, o que fica evidente no ciclo de produção atual.
“O mercado muda muito, tem o El Niño que está agindo muito, tem parte especulativa que foi comprando, estavam com 100 mil lotes vendidos, agora são 120 mil lotes comprados. O El Niño que está atingindo antes do previsto o Centro-Sul do Brasil, então a produção está mais complicada, mais atrasada com chuvas”, diz Jeremy Austin, Diretor Geral da Sucden Brasil.
Revisão de safra e desafios industriais no Centro-Sul
No Brasil, a produção enfrenta atrasos e perdas consideráveis. A necessidade de maximizar o açúcar o mais cedo possível e o comportamento dos fundos frente aos fundamentos foram pontuados por Mario de Rezende Barbosa, Diretor de Estratégia da LDC.
“Virou algo muito mais macro do que o próprio fundamento do açúcar; o açúcar foi comprado em busca de commodity por muitos fatores. A maximização de açúcar o mais cedo possível faz parte da premissa que estamos usando hoje”, considera.
No entanto, a gestão desse volume traz desafios operacionais severos para a indústria, como a cana “pisada” e as incertezas sobre o calendário de moagem. “Eu ouço muito dizer que as usinas vão começar em março; eu acho muito difícil que isso aconteça, porque quando todas as usinas estão se organizando para moer próximo ao Natal. Todas elas passam por uma entressafra e vão estar entregando seus equipamentos e os prestadores de serviço em janeiro”, acredita Paulo Garcia, CEO da Vital Commodities.
Cenário internacional: Índia e Europa
Os participantes do painel também falaram sobre o cenário internacional, pontuando que tanto a Índia quanto a Europa registraram quedas expressivas em suas estimativas de produção, pressionando ainda mais a balança global e reduzindo os excedentes exportáveis frente à lentidão nos embarques indianos e à diminuição de área plantada no continente europeu.
Serviço
26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol
Data: 26 e 27 de outubro de 2026
Local: Grand Hyatt Hotel – Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo (SP)
Mais informações: https://datagroexperience.com/eventos/conferencia-internacional-datagro-2026/





