Durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, representante do governo e porta-voz do Instituto Mauá de Tecnologia destacam o papel da inovação e das políticas públicas para acelerar a descarbonização do transporte brasileiro.
A possibilidade de ampliar a participação do etanol na gasolina brasileira exige avanços em pesquisa, avaliações sobre o desempenho dos veículos e políticas que estimulem a adoção de combustíveis de menor emissão de carbono.
Os desafios técnicos e regulatórios dessa transição foram debatidos no painel “Estudos sobre Misturas Mais Elevadas de Etanol na Gasolina”, realizado durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
O debate reuniu Marlon Arraes, diretor do Gabinete da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e Renato Romio, gerente da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, com mediação de Hugo Cagno, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP).
Na avaliação de Marlon Arraes, o Brasil já dispõe de instrumentos regulatórios que incentivam a eficiência energética e o desenvolvimento de novas tecnologias automotivas. O desafio, segundo ele, é fazer com que esses avanços também sejam percebidos pelos consumidores, estimulando a escolha por combustíveis de menor intensidade de carbono.
“O avanço em relação à eficiência energética é impulsionado por regulações estruturadas como Rota 2030, Inovar-Auto e o mais recente programa Mover, consolidando a política do Brasil voltada à inovação. Mas, além disso, temos que fazer que se torne claro e atrativo para o consumidor a escolha por alternativas de baixo carbono, como o etanol”, afirmou.
O representante do governo também abordou a importância de mecanismos econômicos que reconheçam as diferenças de emissões entre os combustíveis. A precificação do carbono de origem fóssil foi apontada como um dos caminhos para valorizar os benefícios ambientais do etanol e ampliar sua competitividade na matriz de transportes.
Pela perspectiva da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico, Renato Romio destacou que a indústria automotiva brasileira acumula experiência na criação de soluções capazes de combinar eficiência energética e uso de biocombustíveis. Para ele, o avanço dessas tecnologias depende de uma atuação coordenada entre governo, fabricantes e instituições de pesquisa, além de incentivos que favoreçam sua adoção pelo mercado.
“As soluções em engenharia estão prontas e a indústria automotiva tem sido atuante. Mas para que as soluções sustentáveis de descarbonização pela vertente do etanol no Brasil, como os híbridos a etanol, ganhem ainda mais aderência, o papel da regulação e da oferta tecnológica é criar incentivos e conscientizar o consumidor. A união entre pesquisa acadêmica, como fazemos no Instituto Mauá, e o governo, pode ser fundamental para que o país seja líder na mobilidade de baixo carbono”, afirmou Romio.
O professor e pesquisador também ressaltou a contribuição da pesquisa acadêmica para avaliar novas aplicações do etanol e oferecer embasamento técnico às decisões regulatórias. No caso de misturas mais elevadas na gasolina, aspectos como desempenho dos motores, emissões e compatibilidade com a frota em circulação precisam ser considerados para garantir a viabilidade de eventuais mudanças.
As discussões evidenciaram que o aumento da participação do etanol na matriz de transportes depende não apenas de soluções tecnológicas, mas também de condições regulatórias e econômicas que estimulem seu consumo. A integração entre pesquisa, indústria e poder público será determinante para transformar o potencial do biocombustível brasileiro em avanços concretos na redução das emissões do setor automotivo.
Serviço
26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol
Data: 26 e 27 de outubro de 2026
Local: Grand Hyatt Hotel – Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo (SP)
Mais informações: https://datagroexperience.com/eventos/conferencia-internacional-datagro-2026/






