| Produtores relatam demora, falhas no atendimento e protocolos encerrados sem solução. Sistema FAEP intensifica cobrança por melhorias no fornecimento |
| As tempestades registradas nas últimas semanas provocaram diversos danos à rede elétrica, deixando propriedades rurais sem energia em várias regiões do Paraná. Mesmo com a promessa de atendimento prioritário por parte da Copel, agricultores e pecuaristas enfrentam demora no restabelecimento do serviço, falhas no atendimento e riscos crescentes de prejuízos dentro da porteira. Em Xambrê, Perobal e Rondon, no Noroeste, mais de 100 produtores permanecem sem energia elétrica desde o temporal do dia 31 de agosto, contabilizando perdas na produção de leite por falta de refrigeração. Ocorrências em Marechal Cândido Rondon, no Oeste, e Porto Amazonas, nos Campos Gerais, também incluem interrupções no fornecimento de energia de até 48 horas, protocolos encerrados sem a solução dos problemas e equipes de campo da Copel sem acesso às solicitações registradas pelos consumidores. “Há anos o Sistema FAEP cobra a Copel em relação à necessidade de serviços e investimentos que garantam estabilidade no fornecimento de energia elétrica, manutenção adequada da rede e atendimento compatível com a urgência das atividades rurais. Em cadeias como piscicultura, avicultura, suinocultura e bovinocultura de leite, poucas horas sem energia provoca mortalidade de animais, descarte da produção e gastos elevados com geradores”, explica o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa situação de inoperância e descaso se arrasta há muito tempo. É inadmissível a falta de ações efetivas por parte da Copel”, complementa. A produtora Simone de Paula, de Rondon, enfrentou uma interrupção prolongada por conta dos temporais. A energia acabou no domingo (30), somente sendo restabelecida às 17h30 de quinta-feira (3). Na propriedade voltada à pecuária de corte, a falta de eletricidade comprometeu o abastecimento de água dos animais e exigiu o uso contínuo de geradores, elevando as despesas. “Além da falta de água para os animais e gasto extra com combustível, tivemos perda de alimentos perecíveis armazenados em freezers e geladeiras. Há ainda o desgaste físico e psicológico de tentar lidar com a situação e buscar uma resposta da Copel”, diz Simone, relatando que a interrupção também atingiu vizinhos que trabalham com pecuária leiteira, criação de galinhas poedeiras e bovinocultura de corte. Já em Marechal Cândido Rondon, um cabo rompido interrompeu o fornecimento de energia elétrica na propriedade do piscicultor Claus Lemmertz pouco antes do meio-dia na quarta-feira (2). Uma equipe da Copel chegou ao local quase quatro horas depois e o reparo ocorreu apenas no início da noite. Mesmo depois da intervenção, propriedades vizinhas continuaram sem energia porque as chaves de distribuição não foram verificadas. “O pessoal da Copel foi embora, enquanto produtores de suínos, leite e peixe precisaram passar a noite com os geradores ligados”, relata Lemmertz. Como as interrupções se tornaram frequentes, o piscicultor mantém dois geradores, cada um com consumo aproximado de 25 litros de diesel por hora. Com os equipamentos funcionando 24 horas para manter o sistema de oxigenação dos tanques, essencial para evitar a morte dos peixes, o gasto extra chega a R$ 7,8 mil por dia. “A equipe da Copel chega no local do problema e precisa ligar para a central em Curitiba para pedir autorização para fazer a manobra. Algo que poderia ser resolvido em 15 minutos, às vezes, leva três horas”, conta Lemmertz. Protocolos sem soluçãoO produtor de leite Vanderlei Ivan Redel, também de Marechal Candido Rondon, enfrentou 27 horas sem energia, apesar do tempo firme, sem chuva ou vento. Mesmo depois do primeiro reparo, a rede permaneceu sem uma das fases, impedindo o funcionamento de equipamentos trifásicos. Apesar da abertura de novos protocolos, o pecuarista recebeu mensagem informando que o fornecimento estava normal e que o defeito estaria na instalação interna da unidade consumidora. Na manhã seguinte, no entanto, toda a propriedade estava novamente sem energia. “Verificamos vários protocolos de falta de energia que tinham desaparecido sem a solução do problema correspondente. Fizemos novos registros, mas sem resposta. Enquanto isso, precisei buscar diesel para continuar tocando o gerador, assim como os vizinhos”, afirma Redel. Atendimento por acasoEm Porto Amazonas, o produtor Felipe Oliva ficou cerca de 48 horas com fornecimento de energia inadequado após a tempestade de segunda-feira (31). A propriedade manteve a energia em 220 volts, mas sem a fase necessária para o funcionamento dos equipamentos em 110 volts. O problema era um parafuso solto na conexão do neutro do transformador. Mesmo assim, o reparo só ocorreu depois que o produtor encontrou, por acaso, uma equipe da Copel que atendia outra ocorrência nas proximidades. “Quando o pessoal da Copel chegou, eu mostrei meus protocolos registrados, mas simplesmente não aparecia para a equipe”, relata Oliva. Segundo o produtor, a propriedade enfrenta interrupções pelo menos duas vezes por mês, causando problemas nas atividades agrícolas, com soja, batata, aveia, trigo e milho, e na pecuária, que precisa manter medicamentos veterinários e materiais utilizados na inseminação artificial em condições controladas de temperatura. “Quando passou de 24 horas sem energia, entramos em desespero. Temos medicamentos que precisam ficar refrigerados. O risco de perder tudo é grande”, afirma Oliva. O Sistema FAEP orienta que os produtores formalizem as reclamações na plataforma Consumidor.gov.br, sempre informando e guardando os números dos protocolos abertos nos canais da Copel. “Esses registros contribuem para a formação dos indicadores acompanhados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ajudam a dimensionar a frequência, a duração e os impactos das falhas no fornecimento de energia elétrica no meio rural”, destaca Meneguette. Cobrança permanenteO Sistema FAEP acompanha os problemas no fornecimento desde 2024, quando reuniu relatos enviados por sindicatos rurais de diferentes regiões. O levantamento resultou em um ofício encaminhado à Copel, ao governo estadual e aos deputados estaduais, com pedido de providências imediatas. Em janeiro de 2025, representantes da companhia assumiram, durante reunião com o Sistema FAEP, o compromisso de enfrentar os problemas de quedas e oscilações. Como as dificuldades persistiram, a entidade ampliou a mobilização ao longo de 2026. As cobranças contribuíram para a criação do Copel Agro, canal exclusivo ao produtor rural. A ferramenta começou a funcionar em abril, com 30 atendentes disponíveis durante 24 horas. Contudo, os produtores rurais reclamam que o atendimento é feito por inteligência artificial, sem os encaminhamentos necessários às ocorrências. Os problemas no fornecimento de energia já foram pautas de audiências públicas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Curitiba, e da Comissão de Infraestrutura do Senado, em Brasília. Na ocasião, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, alertou que a energia elétrica havia se transformado em fator de risco para a atividade rural. Leia sobre a audiência no Senado. Em julho deste ano, o Sistema FAEP protocolou representações no Ministério Público do Paraná (MPPR) e no Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU). Os pedidos solicitam a apuração das interrupções prolongadas, oscilações de tensão e demora no religamento, além da análise da relação entre os investimentos realizados, a qualidade do serviço e o reajuste tarifário aplicado pela concessionária. Confira as representações. O que diz a CopelA Copel informou que os eventos climáticos registrados me 31 de agosto e 1º de setembro deixaram 180 mil unidades consumidoras sem energia no Paraná. Segundo a companhia, até o dia 3, aproximadamente 2 mil unidades rurais ainda aguardavam o restabelecimento, principalmente na região Centro-Sul. A concessionária afirma que as equipes encontram dificuldades em áreas de acesso restrito e em locais com reflorestamentos. |

4 de setembro de 2026/
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