Dados indicam que a reversão do ciclo pecuário está ocorrendo de forma mais gradual do que se projetava inicialmente.
O Brasil deve reduzir sua produção de carne bovina em 2026, em 0,8%, para 11,84 milhões de toneladas, segundo estimativa divulgada, nesta terça-feira (15/9), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No ano passado, o país produziu 11,93 milhões de toneladas. De acordo com a Conab, a esperada queda indica o “início da reversão do ciclo pecuário” para um período em que a oferta de animais prontos para abate diminui, bem como a produção de carne.
“Os resultados de 2026 indicam que a reversão do ciclo pecuário está ocorrendo de forma mais gradual do que se projetava inicialmente. O abate permaneceu acima do observado no ano anterior durante o primeiro semestre, sustentado pela disponibilidade de fêmeas, pelo aumento do peso médio das carcaças e pela maior utilização do confinamento”, afirmou a Conab em documento sobre as perspectivas para a agropecuária na safra 2026/27. “A esperada retração da produção ainda não se manifestou de forma intensa.”
Apesar da queda, as exportações devem crescer 4,46% em 2026, para 4,73 milhões de toneladas. Em 2025, o Brasil embarcou 4,53 milhões de toneladas do produto ao exterior. A elevação, segundo a Conab, é esperada mesmo com o preenchimento da cota de importação chinesa, o embargo europeu por conta de controles do uso de antimicrobianos e a tarifação dos Estados Unidos.
Apesar do esgotamento da cota chinesa, a Conab disse não ter observado a formação de um volume excedente de carne bovina capaz de provocar queda acentuada dos preços internos. “Os elevados valores internacionais, a demanda de destinos alternativos e a oferta ainda ajustada de animais prontos para abate tendem a limitar esse efeito”.
A Conab também comentou que, no mercado doméstico, o consumo permanece moderado e concentrado nos cortes de menor valor. “A carne bovina perdeu competitividade em relação ao frango e à carne suína, principalmente entre os consumidores de menor renda. Essa substituição limita o repasse integral da valorização da arroba ao varejo, embora a perspectiva de menor oferta mantenha viés de sustentação para os preços”, disse a estatal.
Quanto a 2027, a Conab vê um recuo mais acentuado da produção de carne bovina, de 4,1%, para 11,413 milhões de toneladas, reflexo da menor disponibilidade de animais para abate, da maior retenção de fêmeas e da recomposição de rebanhos. Como consequência, as exportações devem crescer em menor ritmo, 2,2%, para 4,83 milhões de toneladas.
“Caso o abate de fêmeas permaneça elevado, a mudança do ciclo poderá ser adiada; se a retenção se consolidar, a redução da oferta tende a se tornar mais evidente em 2027”, afirmou a Conab no documento (Globo Rural)






