Por Marcelo Fraga Moreira
O vencimento julho-26 em NY – após negociar nas mínimas dos últimos 10 meses @ 242,70 centavos de dólar por libra-peso – encontrou forças e encerrou a semana @ 257,20 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / mínima / máxima / fechamento atual respectivamente @ 246,50 / 242,70 / 257,95 / 257,20 centavos de dólar por libra-peso).
Já em Londres o vencimento julho-26 encerrou em forte alta @ 3.594 US$/tonelada – após negociar na máxima da semana @ 3.628 US$/tonelada.
O vencimento das opções no contrato julho-26 ajudou o mercado a realizar o movimento atual – levando os vendidos nas opções de venda “put” no strike 250 e 245 centavos de dólar por libra-peso a recomprarem as posições e “estopar” os prejuízos das “opções que não valem nada, que iriam virar pó”. Após o mercado negociar nas mínimas da semana (como indicado acima) o mercado chegou a subir praticamente 1.500 pontos.
As chuvas dos últimos dias chamaram a atenção do mercado. Apesar da safra estar vindo bem, com boa quantidade aguardada pela grande maioria dos agentes do mercado, as chuvas recentes trouxeram grandes prejuízos para muitos produtores – tanto em perda de quantidade quanto em qualidade na bebida.
Tivemos informação que apenas 1 produtor chegou a perder 4.000 sacas do seu café que já estava no terreiro secando e as fortes chuvas literalmente carregaram seu lote para dentro da barragem.
Com as chuvas as operações de colheita foram paralisadas e a expectativa é para a retomada dos trabalhos a partir da metade da próxima semana.
Outro “efeito clima” tem sido a grande especulação referente a formação do próximo “El Ninõ”. E esse risco real também vem deixando muitos produtores reticentes para abrir posições para compromissos em set-27 e set-28.
Essa semana tive a oportunidade e privilégio em participar num painel “Painel IV: “Panorama Mundial da Produção do Café: Onde estamos e para onde vamos?” junto com a Sra. Vanusia Nogueira – diretora da OIC – em evento da Monteccer (3ª Jornada: O Mercado, O Carbono e O Café Regenerativo – em Monte Carmelo – MG) e o cenário para os próximos anos é preocupante!
Segundo estudos da OIC (apresentados pela sra. Vanusia) estão ocorrendo investimentos pesados na Etiópia e Uganda com expectativa para esses 2 países praticamente dobrarem a sua produção durante os próximos 4 anos – passando de uma oferta atual combinada ao redor de +17 milhões de sacas para +40 milhões de sacas.
Esses investimentos estão sendo realizados com apoio do governo e também através de investimento chines.
Ou seja, a expansão nos últimos anos não foi apenas no Brasil mas também em outras origens / países produtores ao redor do mundo.
Com essa possível nova oferta no mercado então a reposição dos estoques mundiais voltarão a atingir patamares acima dos 50 milhões de sacas – possivelmente já a partir da safra 28/29.
Também foi comentado que o consumo mundial teve sim uma queda considerável nos últimos 2 anos, e agora a OIC* vem trabalhando para incentivar o crescimento do consumo em países “emergentes” – principalmente no Oriente Médio e Ásia! Se o crescimento continuar “estável”, apenas entre +2%/+3% ao ano com uma produção mundial crescendo ao redor dos +5% ao ano, então com certeza mercado do café voltará a ter uma grande oferta e estoque nos próximos 4 anos – poderá ultrapassar as 100 milhões de sacas já a partir do ano safra 29/30.
Novamente, não tem como ficar altista no médio-longo prazo – salvo um evento climático severo nos próximos 2-3 anos. Caso contrário apertem os cintos pois creio que veremos NY voltando aos 150 centavos de dólar por libra-peso em breve.
Segundo a Cecafé em maio-26 o Brasil exportou 3,088 milhões de sacas e a previsão para o mês de junho-26, por enquanto, está indicando uma exportação ao redor dos 3,50 milhões de sacas.
Assim, no ano safra julho-25/junho-26 o Brasil deverá encerrar o ano safra exportando aproximadamente 38,70 milhões de sacas x 45,80 milhões de sacas no mesmo período anterior! E uma nova projeção para o Brasil voltar a exportar ao redor das 50 milhões e sacas durante os próximos 12 meses.
Novamente o Brasil continuará sendo o principal fornecedor da commoditie “café” do mundo durante a próxima década!
O mercado também segue monitorando como será a implementação das novas regras “impostas” pela União Européia – deverá entrar em vigor a partir do dia 1 de janeiro de 2027! Então pode ser que vamos assistir novamente a uma aceleração nos embarques a partir da segunda quinzena de outubro – final de novembro-26 para os containers chegarem em portos europeus antes do dia 31 de dezembro de 2.026.
Produtores / exportadores: cuidado com a programação dos bookings / contratos com armadores para não deixarem embarques para última hora e acabarem ficando com “carga deixada para trás”.
No curto prazo o vencimento julho-26 praticamente já “fora do jogo”… Então o próximo vencimento Set-26 apresenta resistência nos 268 centavos de dólar por libra-peso e suporte nos 242 centavos de dólar por libra-peso.
Importante já começar a monitorar a posição das opções para o vencimento set-26 (próximo dia 14 de agosto)! A posição nas opções de venda “put*” nos strikes entre 250-200 centavos de dólar por libra-peso já esta “grande” e poderá pesar muito no mercado no curto prazo.
Continuo com minha visão baixista… com café arábica tipo 6 peneira 17/18 negociando nos 1.200/1.200 R$/saca e conilon novamente entre 700-800 R$/saca.
Cuidado com as operações alavancadas / as estruturas com os acumuladores / as operações “que aparecem / desaparecem” que estão sendo oferecidas no mercado por alguns bancos/corretoras – pois se algum “evento de cauda” vier a ocorrer estas estruturas “seguras” poderão te quebrar! (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)





