Brasil volta à posição de maior juro real do mundo

Após corte de 0,25 ponto percentual anunciado pelo Banco Central, taxa real brasileira permanece em 8,45% ao ano.

O Brasil voltou à primeira posição do ranking mundial de juros reais, com taxa de 8,45% ao ano, após o Banco Central anunciar, nesta quarta-feira (16), um corte de 0,25 ponto na taxa Selic.

Segundo levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, o país aparece à frente de Rússia (6,79%), Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%). A média dos 40 países analisados é de 1,62%.

A liderança brasileira ocorre apesar de o país ocupar a quarta posição no ranking de juros nominais. Com taxa de 13,75% ao ano, o Brasil fica atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%).

A diferença entre os rankings é explicada pela inflação projetada. Para calcular os juros reais, o levantamento considera a taxa de juros de mercado para 12 meses e a inflação esperada para o mesmo período.

No caso brasileiro, a projeção de inflação utilizada foi de 4,71%, com base no relatório Focus do Banco Central.

Nove das 40 economias analisadas apresentam juros reais negativos. A menor taxa é a da Nova Zelândia, de -0,91%, enquanto Japão, Suíça, Filipinas e Taiwan também registram resultado abaixo de zero.

Segundo o levantamento, as expectativas de inflação para os próximos 12 meses foram revisadas para cima na maioria dos países analisados, reduzindo os juros reais (CNN)



Redução dos juros cumpre expectativas, mas taxa de crédito continua alta

Decisão unânime cumpriu expectativas do mercado, mas impacto no crédito para empreendedores ainda é limitado.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic ao patamar de 13,75%.

A decisão foi unânime e confirmou as expectativas do mercado. Apesar do movimento positivo, analistas alertam que o impacto no crédito para empresas e empreendedores ainda é limitado e tende a demorar para se materializar.

Patrícia Ellen, analista de competitividade da CNN Brasil, comentou a decisão e destacou que, embora a redução da Selic seja bem-vinda, o cenário econômico interno e externo ainda impõe desafios significativos.

“Tão importante quanto a decisão de hoje é a tendência”, afirmou Ellen, ressaltando que o mercado aguarda sinais de continuidade no ciclo de afrouxamento monetário.

A analista explicou que a taxa de crédito, atualmente em torno de 25%, deve recuar para aproximadamente 24,4% com o ajuste — uma redução considerada pequena.

“Isso vai refletir em melhoria da taxa de juros de crédito? Sim, mas demora”, pontuou Ellen.

Entre os fatores que mantêm o crédito caro, a analista citou o aumento recorde da inadimplência, com metade das famílias brasileiras endividadas, além do risco fiscal, que voltou ao centro do debate econômico.

Esses elementos, combinados, fazem com que a taxa de crédito permaneça muito distante do patamar da Selic.

Cenário externo adiciona pressão

O ambiente internacional também contribui para tornar o cenário mais desafiador. Patrícia Ellen destacou que o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos pelo Fed (Federal Reserve) tornou os títulos americanos mais atrativos.

“Se a gente for pensar um título de 10 anos, ele passa a ter uma taxa esperada de mais de 5%, que é a taxa maior que a gente teve desde 2007”, explicou a analista.

Esse movimento pressiona o dólar e exige um esforço adicional do Brasil para manter sua atratividade para investidores.

Outro fator de preocupação apontado por Ellen é a tensão no Estreito de Ormuz, que reduziu drasticamente o tráfego de navios — de uma média de 18 embarcações por dia para apenas dois.

A analista lembrou que o Brasil depende dessa rota para importação de fertilizantes e que 25% do diesel consumido no país tem origem nessa região, o que impacta diretamente o custo de capital e a competitividade da economia brasileira.

Setores mais impactados

Patrícia Ellen identificou quatro setores especialmente vulneráveis nesse cenário: agronegócio, logística e infraestrutura, varejo e construção civil, e indústria.

O agro foi destacado como o mais afetado, uma vez que quatro dos cinco produtos mais exportados pelo Brasil — soja, milho, carne e frango — vêm do setor, que também sofre com o encarecimento de insumos importados, como os fertilizantes.

A analista também mencionou que a instabilidade institucional gera um problema de credibilidade para o Brasil e para as empresas brasileiras, elevando o custo de capital.

“Se tem uma coisa que eu acho que é uma oportunidade nesse cenário geopolítico, é o Brasil passar a ser protagonista em muitas dessas cadeias que hoje o mundo está em luta para dominar, que é alimentos, energia e toda essa parte de minerais críticos”.

Para isso, porém, a analista ressaltou que o país precisa oferecer estabilidade e previsibilidade aos empreendedores brasileiros (CNN)

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