Biodiesel reforça cuidados com o armazenamento e uso em máquinas no campo

Com o diesel comercial passando a conter 15% no combustível, conservação adequada, manutenção preventiva e uso de aditivo específico ajudam a reduzir riscos de contaminação, falhas e prejuízos financeiros durante a operação agrícola

Desde agosto do ano passado, o diesel comercializado no Brasil passou a conter 15% de biodiesel em sua composição, ante 14%. A mudança, estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ampliou a participação do biocombustível na matriz de transportes e também reforçou a importância dos cuidados com o armazenamento e a qualidade em que ele chega nas propriedades rurais.

A alteração não significa que o diesel B15 seja inadequado para máquinas compatíveis com a especificação do combustível. O ponto de atenção está principalmente nas condições de armazenamento e conservação, especialmente em propriedades que mantêm volumes de diesel estocados por períodos prolongados. O biodiesel apresenta características que tornam o controle de fatores como água, oxidação e contaminação microbiológica especialmente importante.

Em condições inadequadas, esses fatores podem contribuir para a degradação do diesel, formação de sedimentos e borras, entupimento de filtros, corrosão e formação de depósitos, afetando componentes como bicos injetores, bombas e outros itens do sistema de alimentação de máquinas e veículos da frota. “O produtor precisa dar atenção não apenas ao combustível no momento do abastecimento, mas também às condições a que ele está exposto durante o período em que permanece armazenado”, explica o engenheiro, Wesley Baldo, diretor comercial da Promarcas.

Proteção extra

Além das boas práticas de armazenamento, produtos desenvolvidos especificamente para diesel e biodiesel podem integrar uma estratégia preventiva.

Sua formulação reúne diferentes funções voltadas à proteção do combustível e do sistema de alimentação. A ação antioxidante contribui para a estabilidade do diesel, enquanto as propriedades bactericida e fungicida auxiliam no controle de microrganismos. O produto também possui funções detergente/descarbonizante, anticorrosiva, lubrificante, demulsificante e antiespumante.

Segundo Baldo, a proposta do aditivo é atuar de forma preventiva, especialmente em operações que trabalham com períodos prolongados entre abastecimentos. “Todo mundo entendeu que o grande problema do biodiesel é a formação da borra e a proliferação das bactérias, e só conseguimos resolver isso quimicamente. Por isso, a utilização de soluções adequadas, associada às boas práticas de armazenamento, pode contribuir para preservar a qualidade do combustível e reduzir riscos para o sistema de alimentação”, diz.

Da manutenção corretiva à preventiva

O cuidado com o combustível faz parte de uma discussão mais ampla sobre a manutenção das máquinas agrícolas. Em um cenário no qual cada hora de equipamento parado pode representar perda de produtividade e aumento dos custos operacionais, esperar uma falha acontecer para então realizar a manutenção pode sair caro para o produtor.

Uma máquina parada durante uma janela crítica de plantio, pulverização ou colheita pode comprometer o planejamento da propriedade. Por isso, a manutenção preventiva e preditiva ganha espaço como ferramenta de gestão, permitindo antecipar necessidades, reduzir o risco de quebras inesperadas, diminuir o tempo de máquina parada e otimizar os custos.

A combinação entre produtos adequados, boas práticas de armazenamento, informações sobre a operação e acompanhamento especializado permite transformar a manutenção em uma estratégia de prevenção. “Em atividades, onde a disponibilidade das máquinas está diretamente relacionada à produtividade, antecipar problemas pode ser mais importante do que a própria falha, uma vez que os custos da manutenção corretiva são muito maiores do que a preventiva”, reforça Baldo.

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