Embargo ocorre devido ao foco de Doença de Newcastle; mercado saudita é o terceiro maior importador de frango do Brasil.
A Arábia Saudita, terceiro maior importador de carne de frango do Brasil, suspendeu as compras de carne e produtos cárneos de aves do Brasil em virtude do caso de Doença de Newcastle confirmado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC), de acordo com comunicado do Ministério da Agricultura.
Além disso, a Malásia também suspendeu compras de carne, produtos cárneos e miúdos de aves provenientes de todo o Brasil.
A Arábia Saudita é o terceiro maior comprador de carne de frango do Brasil. No ano passado, importou 397,225 mil toneladas do produto, 7,7% das exportações totais do Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). No caso de frango inteiro, o país foi o segundo maior comprador, com 137,513 mil toneladas, 14% do total.
Já o Estado de Santa Catarina é o segundo mais relevante para exportações brasileiras de frango, atrás apenas do Paraná. Em 2025, 23,3% da carne de frango enviada ao exterior pelo país era de Santa Catarina.
A Malásia não figurou entre os 25 maiores importadores de carne de frango brasileira em 2025, segundo dados da ABPA.
Além dos dois países, outros já haviam informado a interrupção de compras de produto brasileiro em razão do caso confirmado de Newcastle. O México, sétimo maior importador de carne de frango do Brasil no ano passado, suspendeu compras de todo o país de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia.
A China, 6º maior importador de carne de frango, e o Chile, 15%, impuseram restrições apenas a produtos oriundos do estado de Santa Catarina. No caso da China, 14 das 61 plantas habilitadas a exportar carnes de aves para o país estão no estado.
No comunicado, o ministério disse que mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas.
“A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado”, disse o ministério em nota.
A pasta informou que divulgará novas informações sobre os demais mercados à medida que houver atualizações (Globo Rural)
CNA defende que governo negocie regionalização de embargos após foco de Newcastle
Alguns compradores, como a China, já aceitaram essa regionalização, que resulta em impacto menor para a cadeia produtiva nacional.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu que o governo brasileiro negocie com os principais importadores de carne de aves a regionalização do embargo nas exportações por conta do foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
Na prática, alguns compradores, como a China, já aceitaram essa regionalização, que resulta em impacto menor para a cadeia produtiva nacional.
“O objetivo agora é demonstrar que se trata de um caso isolado e negociar com os mercados regionalização para minimizar os impactos nas exportações brasileiras de carnes de aves e demais produtos avícolas”, disse a CNA, em comunicado técnico sobre o caso.
Santa Catarina é o principal estado exportador de carne de peru, com 29,5 mil toneladas embarcadas em 2025, o equivalente a 44,8% do volume total exportado pelo Brasil, segundo a CNA. Com relação a carne de frango, o Estado ocupa a segunda posição nas exportações, com 1,2 milhão de toneladas embarcadas no ano passado ou 23,3% do volume total. A receita com as exportações de carne de aves do estado totalizou US$ 2,1 bilhões em 2025, o equivalente a US$5,7 milhões por dia.
A entidade disse que a descoberta do foco da Doença de Newcastle em Santa Catarina por meio da vigilância ativa reforça a capacidade de detecção precoce de doenças em aves domésticas e silvestres no Brasil. A confederação ainda ressaltou que a ocorrência é uma questão de sanidade animal e não compromete a segurança dos alimentos.
“O consumo de carne de aves, ovos e demais produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial continua seguro e sem contraindicações para a população”, disse no comunicado.
A entidade também orientou os produtores a reforçarem medidas de biosseguridade nas granjas para limitar a exposição de aves domésticas e outras aves e o contato com pessoas de fora da produção. As medidas incluem o controle de visitas às granjas, a utilização de vestimentas e calçados exclusivos para acesso ao local com aves, a limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos e veículos, a manutenção das telas dos aviários, o controle de pragas, entre outras ações.
“A CNA destaca que o Brasil possui um sistema defesa sanitária robusto capaz de conter e controlar ocorrências dessa natureza, fato é, que a detecção foi feita em exames de rotina. Ressalta que se trata de uma questão de sanidade animal, sem impactos ao consumo dos alimentos, e reafirma sua confiança nas autoridades sanitárias e no compromisso dos produtores rurais e da agroindústria com a biosseguridade”, completou (Globo Rural)






