Produção de trigo deve cair 27% em 2026: pão francês vai ficar mais caro?

Entenda qual será o impacto da redução na área plantada com o cereal no país.

Influenciada por um conjunto de fatores, a produção brasileira de trigo deve despencar em 2026. O último levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na terça-feira (15/9), aponta para um volume de 5,7 milhões de toneladas, queda de 27,1% em relação ao ano passado.

A projeção deve-se à redução na área, calculada em 1,9 milhão de hectares (-21,2%), e na produtividade, que deverá ficar em 2,9 mil quilos por hectare (-7,5%). A semeadura encontra-se concluída em todas as regiões produtoras. O maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul.

Os preços pagos ao produtor de trigo têm desestimulado o cultivo nos últimos anos. Além disso, muitos agricultores enfrentam um cenário de endividamento. O fenômeno El Niño também influencia na decisão de plantio, deixando o produtor com receio de problemas climáticos na lavoura.

Mas como essa queda na produção deve influenciar o seu bolso?

Os números oficiais da inflação apontam para um aumento moderado no preço do pão francês em 2026, em linha com os dados gerais do IPCA, que está em 4,22% no acumulado dos últimos 12 meses. Já no caso da farinha de trigo, houve variação negativa no acumulado do ano e nos últimos 12 meses.

Variação no preço da farinha de trigo:

  • Agosto: +0,43%
  • Acumulado do ano: -4,33%
  • Últimos 12 meses: -5,32%
  •  

Variação no preço do pão francês:

  • Agosto: +0,40%
  • Acumulado do ano: +3,78%
  • Últimos 12 meses: +4,65%

Fonte: IPCA/IBGE

O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, afirma que os números do IPCA não demonstram que uma alta de preços esteja chegando ao consumidor de pão francês. Também não há um movimento de elevação relevante refletida no preço da farinha de trigo.

“Só que a safra de trigo ainda não foi colhida completamente. As chuvas que temos observado na região Sul podem estar deteriorando a qualidade desse trigo. Então, mesmo que colhamos o trigo, temos de estar atentos à qualidade dele, se os moinhos vão conseguir absorver integralmente”, afirma Serigati.

“Então, esse preço mais estável, quando a gente olha para o IPCA, [requer] calma que a safra de trigo ainda não foi colhida completamente. Ainda tem água para passar debaixo dessa ponte.”

O que motivou a queda na produção

A redução na área plantada de trigo está relacionada principalmente às condições de mercado. O valor da tonelada do cereal hoje está em torno de R$ 1,5 mil no Paraná, segundo o Cepea/Esalq. Em abril, porém, quando começa a semeadura, a cotação estava abaixo de R$ 1,3 mil.

“O preço não estava favorável no início do ano. A guerra no Oriente Médio encareceu demais os insumos, e o produtor não foi motivado a plantar trigo nesta safra”, explica o gerente substituto de acompanhamento de safras da Conab, Marco Antônio Chaves.

Segundo a Conab, o excesso de chuvas nas regiões produtoras já provoca problemas de doenças nas culturas de inverno, em especial o trigo. A colheita já teve início e está em 18% da área semeada, segundo a companhia (Globo Rural)

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