Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais polos da pecuária de corte no Brasil, impulsionada por um ciclo de intensificação produtiva, aumento do confinamento e recordes recentes de abate. O movimento reflete uma mudança estrutural no setor, cada vez mais orientado por eficiência, tecnologia e gestão, em resposta às exigências de mercado e à necessidade de maior previsibilidade nos resultados.
Dados recentes reforçam o protagonismo do estado. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou aumento de 4,52% nos abates, totalizando cerca de 4,14 milhões de cabeças, segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) compilados pela Famasul. No mesmo período, o confinamento avançou 17,8%, alcançando aproximadamente 900 mil cabeças e posicionando o estado entre os maiores do país. Já o valor bruto da produção agropecuária estadual foi estimado em R$ 76,3 bilhões, crescimento de 23,68%, conforme dados da Semadesc e da Famasul.
Para 2026, a expectativa do setor é de manutenção de preços firmes, com a arroba do boi gordo sustentada por exportações aquecidas — especialmente para a China —, além de avanços em sustentabilidade e qualidade da carne. O abate de animais com certificação sustentável, por exemplo, já apresentou crescimento de 12% no último ano, enquanto investimentos em genética e manejo seguem como pilares para aumento de produtividade.
Segundo Bruno Freitas, médico-veterinário da Ourofino Saúde Animal, esse novo momento da pecuária exige uma abordagem mais técnica e integrada dentro das propriedades: “A pecuária de corte vive um processo claro de intensificação. Hoje, não basta produzir mais, é preciso produzir com consistência. Isso passa por manejo adequado, controle sanitário eficiente e tomada de decisão baseada em indicadores produtivos.”
Nesse cenário, fatores como estresse, desafios sanitários e adaptação dos animais ao sistema produtivo ganham ainda mais relevância, especialmente em operações de desmama, estação reprodutiva e entrada de confinamento, onde a margem de erro é menor e o impacto de falhas é direto no resultado.
“A eficiência produtiva está diretamente ligada à capacidade de reduzir variáveis que tiram desempenho do sistema. Quando o produtor consegue controlar esses pontos, ele ganha em previsibilidade, padronização e resultado econômico”, complementa Bruno.






