Plano Safra Empresarial 26/27 gera frustração no setor agropecuário

Lula conseguiu se afastar ainda mais dos produtores rurais com quem vem tendo embates sucessivos a partir do início do seu 3º mandato e, mais uma vez, confirmou que não governa para todos os brasileiros. Sua ausência no evento realizado no período da manhã de ontem no Palácio do Planalto foi fortemente criticada e considerada desrespeitosa, de descaso total e até mesmo acinte por lideranças políticas, empresariais e, principalmente, por lideranças dos produtores rurais.

O conteúdo do Plano Safra Empresarial não condiz com o discurso oficial do governo federal em comparação a crise por qual passa a agropecuária. Foram anunciados R$ 384,9 bilhões para custeio, o que equivale a uma redução de 7,2% em relação a safra 2025/2026 e R$ 140,2 bilhões para investimentos, o que corresponde ao aumento na ordem de 38%.

“Desconheço quem pense em investimento com esta taxa de juros estratosférica”, afirma Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto. “A ausência de Lula denota a forma e a sua agressividade com os produtores rurais desde o início deste mandato. Ele aposta na divisão dos produtores rurais empresariais com a agricultura familiar cujas atividades são complementares para produzirem alimentos para os brasileiros e também para os habitantes de 180 outros países”, acrescenta.

Para o secretário de Agricultura de Araraquara e vice-presidente do Sindicato Rural local, João Henrique de Souza Freitas, o aumento para investimentos e a redução das verbas de custeio estão completamente fora do contexto provocado pela crise imposta pelo governo federal com os juros altos e nenhum incentivo para os produtores que estão atravessando a pior crise da agricultura na história brasileira. “Lula tenta inviabilizar o setor que é modelo de eficiência e produtividade e garante os recursos para o PIB e para a balança de pagamentos”, alerta.

Já Tiago Jacinto, presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente considera que o governo federal preparou uma armadilha para os produtores rurais com o Plano Safra Empresarial. “É hora de custear e não de investir. Lula, que manifestamente está contra o agro, está tentando dar corda para o agricultor se enforcar. Ele tenta amplificar o grau de dificuldades imposto aos produtores rurais”.

“Vejo com muita tristeza Lula usando e abusando de mentiras, é o autêntico “fake man”. Ele se apresenta como um grande político, sabe articular, mas é um péssimo patriota e destruidor da nação brasileira. Costumo usar meu avião para visitar minha propriedade no Mato Grosso. Do alto, com profunda tristeza, vejo que tudo parou. Só a produção de milho para sua transformação em etanol se mantém ativa.”, comenta.

Tiago Jacinto explica que os tomadores de empréstimos do Plano Safra 2025/26 não conseguiram cumprir com seus compromissos. “Quem devia, não pagou e não tem mais condições de buscar financiamento. A margem para produzir soja, por exemplo, é negativa. O custo de produção da saca é em torno de R$ 130 e o preço de venda R$ 110.” Ele estima que na região de Presidente Prudente a produção neste novo agrícola terá redução entre 25% a 30%.

Colapso na produção da cana-de-açúcar

Paulo Junqueira, que também é produtor de cana-de-açúcar, mostra detalhe importante em relação a crise imposta pela manutenção da alta de juros e os preços de mercado afetados pela queda das commodities e pelas condições climáticas: “O ATR  (Açúcar Total Recuperável, o principal indicador de qualidade da cana-de-açúcar) em março do ano passado equivalia a R$ 1,1926/kg. O valor de hoje é de R$, 0,8877, ou seja, diferença de 34,37% ao mesmo tempo em que os custos de produção tiveram aumentos significativos”

Ele também lembra que cerca de 47% a 50% dos R$ 516 bilhões disponibilizados no Plano Safra 25/26 (Dados da IA Google) não foram acessados pelos produtores do agro empresarial. “Valores que foram disponibilizados pela safra passada até agora não foram liberados, ou seja, o governo anuncia estes valores mas na prática eles não acabam chegando aos produtores. E, mais, não acredito que os montantes anunciados para este novo Plano Safra também cheguem, de fato e de direito, aos agricultores”.

João Henrique de Souza Freitas revela que o custo de produção de uma caixa de laranja está estimado em torno de R$ 100/110 enquanto que o preço pago pela indústria de sucos não passa de R$ 30. Ele concorda com Paulo Junqueira na questão da queda brutal do ATR para a cana-de-açúcar e lamenta o silêncio e a omissão das entidades que deveriam representar os produtores rurais.

Destaca, ainda, que é crescente a falta de mão-de-obra no campo com forte migração dos trabalhadores para os planos de assistência social do governo. “Ninguém mais quer ser registrado pois os trabalhadores preferem ficar dependentes do Bolsa Família, Vale Gás e outros planos custeados com os impostos que recolhemos”, concluiu (Brasilagro)



 Frente parlamentar do agro critica ausência de Lula em lançamento do Plano Safra: ‘Preocupante’

A Frente Parlamentar da Agropecuária, maior bancada do Congresso Nacional, criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial nesta terça-feira, 30. Em nota com outras críticas ao plano em si, a FPA classificou o fato como “o mais preocupante”.

Nenhum membro da diretoria da frente esteve presente no evento pelo Lula estava na Cúpula do Mercosul, no Paraguai, durante o lançamento da medida para médios e grandes produtores. O evento foi realizado no Palácio do Planalto pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O chefe do Executivo brasileiro retornou ao País e participou do anúncio do plano para a agricultura familiar, no fim do dia.

“O mais preocupante é a postura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que fez questão de afirmar que não participaria do lançamento do Plano Safra da agricultura empresarial, reservando presença apenas ao anúncio da agricultura familiar”, afirmou a bancada na nota oficial.

“A postura reforça uma tentativa equivocada do governo de dividir o agro brasileiro, como se pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e cadeias produtivas não fizessem parte de um mesmo sistema responsável por produzir alimentos, gerar empregos, movimentar municípios e sustentar a economia nacional”, acrescenta.

A vice-presidente da frente parlamentar no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), também comentou o assunto em vídeo publicado em suas redes sociais. “O nosso setor que faz com que o nosso PIB seja positivo, com que a nossa balança comercial seja positiva, que gera quase 30% dos empregos formais desse país, ele merece respeito e prestígio”, afirmou a ex-ministra. Ela também declarou que o anúncio “não teve nada de recorde”.

A FPA, composta por 192 deputados federais e 50 senadores, criticou pontos das medidas lançadas. A bancada considera, por exemplo, as propostas para reduzir juros insuficientes diante da “situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda dos recursos equalizados”, empréstimos do crédito rural em que o governo federal subsidia parte dos juros.

Este é o terceiro ano consecutivo em que parlamentares da bancada agropecuária não comparecem ao anúncio do programa de financiamento e mostram distanciamento do governo. Desde o início do governo Lula, a frente se opõe ao Executivo em repetidas iniciativas relacionadas a políticas agrícolas.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o Plano Safra 2026/27 oferecerá um total de R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores, 1,7% a mais do que a oferta de crédito na temporada 2025/26, de R$ 516,2 bilhões (Estadão)

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